A alegria é uma pérola

Num primeiro olhar, a pérola nada mais é que o resultado do mecanismo de defesa de uma ostra. Ela é uma reação aos danos recebidos do meio ambiente. Entra um grão de areia, pronto, cria-se uma película. Só precisa de um primeiro ataque, uma invasão inicial e o manto protetor se sobrepõe. A entrada é aleatória. Pode ser um coral, uma rocha ou um parasita. Qualquer corpo estranho ao entrar na ostra, torna-se pérola. Isto é imutável. Porque o produto inicial não interfere no processo e no resultado final. A ostra não pode escolher o que receber. Entretanto, o resultado final é escolha, é ação, é verbo, é fazer e acontecer para produzir algo bom e belo. A ostra recebe o que a vida dá e age de acordo com seu propósito de preservação e assim transforma qualquer coisa numa joia rara e única.  

Se agíssemos como a ostra, o resultado final de qualquer acontecimento, vivência, experiência seria o mesmo: o nascer da pérola da alegria. E pensem: mais do que a ostra, algumas invasões e interferências podemos deixar entrar ou sair. Portanto, não importa o que recebamos da vida, não importa o quão achemos aleatórias as nossas experiências, o quão não enxerguemos que escolhas e renúncias fazem o nosso dia, mês, ano e viver. Se estivéssemos apenas focados em experimentar o hoje, o aqui e o agora, sem ansiedades ou arrependimentos, entenderíamos que não importa as coisas que tenhamos, as coisas que realizemos, as coisas que recebemos ou damos. A real importância está no nosso interior, o nosso eu, o que somos e o que podemos ser e causar. Ser feliz está em nós e não no que temos, está no ser e não no ter.

Logo, deixemos o oceano da vida nos invadir, deixemos a onda da vida entrar e tratemos de criar a nossa pérola, pois ela é a razão do nosso viver. Ser feliz, tal como produzir uma pérola, não dá trabalho nem cansa. O essencial é percebermos que está em nosso interior a força para transformar qualquer coisa em alegria, já que “a alegria não está nas coisas, está em nós”


Patricia Tolezano

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