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A IMPORTÂNCIA DO AUTO-DESENVOLVIMENTO

Por Ana Guerra

Tenho observado e escutado desabafos que as pessoas têm comportamentos estranhos. A maior parte das vezes, isso faz-me sentir que devemos estar a atravessar um período a nível planetário: uma espécie de caos, onde os seres humanos parecem um pouco perdidos.


Provavelmente, devido ao facto de que a comunicação, hoje em dia, ser muito veloz, temos acesso a demasiada informação, uma credível e outra nem por isso, trazendo-nos alguma confusão.


Pelo facto de sermos seres de hábitos, acontece que continuamos a ter as mesmas atitudes, apesar de podermos ter acesso a novos paradigmas. O que quer isto dizer? Que iremos usar essas informações/conhecimentos da mesma forma que usávamos as antigas crenças, valores. Isso faz-me recordar uma frase de Buda:

“O que somos é uma consequência do que pensamos”.


É um facto. Ao longo do nosso crescimento, absorvemos e escolhemos tudo aquilo que iremos juntar ao nosso carácter e isso irá reflectir-se na nossa personalidade. O que pensamos… tem como referência tudo em que acreditamos e escolhemos como valores, seja consciente ou não.


Todo este caminho, trouxe a necessidade de fazer algo diferente por nós mesmos, aquilo que escutamos com alguma frequência na actualidade: auto-desenvolvimento, um trabalho interior, pegando nas nossas capacidades e talentos de modo a nos tornarmos em melhores seres, vivendo de modo mais satisfatório, seguro, confiante e isso leva-nos a um sucesso individual que, muitas vezes, designamos por Felicidade.


Como podemos realizar este processo? Por nós mesmos ou com apoio profissional. Uma boa estratégia é ter apoio, porque nem sempre temos acesso a todas as ferramentas que iremos precisar e/ou usarmos as que já temos. Além disso, um factor como a motivação é amplamente auxiliada se não nos encontrarmos a dar os primeiros passos, solitariamente.


Sentir-nos-emos mais seguros e confiantes ao ter consciência que o resultado é caminharmos sozinhos. O apoio é insignificante se não nos empenharmos no que nos propomos. O trabalho principal é, crucialmente, nosso. Só desta forma é eficiente e duradouro.


Há alicerces essenciais para começarmos. Conhecermo-nos e aceitarmo-nos como e quem somos. Dar a mão à sinceridade e verdade levar-nos-á a caminhar com a garantia que os frutos são claros. Identificar os valores e crenças que são inúteis é um outro passo. Ter consciência, se os adquirimos de modo dogmático, irá ajudar-nos a libertar de forma mais rápida, porque começamos a ser os capitães da nossa embarcação.


Libertarmo-nos de medos, apegos emocionais, pré-conceitos, hábitos bloqueadores, enquadra-se na construção de novas estruturas e isso traz uma força energética que é transformada em alegria. Todos estes passos iniciáticos anunciam horizontes desafiadores.


Uma das nossas dúvidas é se seremos capazes. Ora, se começamos a duvidar de nós mesmos, é um alerta e é relevante que o escutemos. Não faz mal sentir isto. O sinal diz-nos para pararmos, sentarmo-nos e reflectirmos.


Um hábito fundamental é reservarmos, todos os dias, um momento para nos encontrarmos connosco próprios.


Podemos fazer relaxamento, escutar uma música com frequências que equilibram quem somos (nunca esquecer que somos energia e que a física tem-nos esclarecido que podemos fazer muito por nós mesmos). Seguir o que alguns chamam de meditação (momento em que nos sentimos sem pré-conceitos).


Vou debruçar-me um pouco sobre este assunto. Escutamos diferentes teorias/conceitos sobre o que é meditação. O que posso partilhar, após pesquisas, é que meditar pode ser feito de uma forma mais suave ou mais profunda, segundo o que pretendermos obter.


Umas vezes podemos fazer uma e outras, outra. O principal resultado é quando reconhecemos o seguinte sinal: perante uma adversidade (que supostamente no passado, reagíamos em vez de agirmos) o nosso comportamento é assertivo.

A assertividade indica-nos que estamos tranquilos, confiantes e dessa forma dirigimo-nos ao outro sem agressividade. Ou até mesmo connosco próprios quando pensamos (os pensamentos também são estímulos internos).


O nosso caminho apresenta novas conquistas e, ao observarmo-nos, constatamos um sorriso enorme e sentimos orgulho por nós. Tão poderosa a auto-estima!


Nesta etapa, conferimos através de um balanço dos passos dados que o ser que somos vacila menos, deixou de recear o desconhecido.


É um momento para nos congratularmos. Aprender a abraçarmo-nos, a recompensarmo-nos, também faz parte do pacote. Crescemos, a maior parte das vezes, sem elogios, com culpa, sem tolerância, demasiados valores repressivos e a olharmos para o outro sem primeiro olharmos para nós. Aprendemos que ser egoísta é errado. Sempre o bom e o certo, o bonito e o feio, quando, hoje, reaprendemos a ser egoísta de forma sadia e natural.


Se não me der, e olhar para mim, com amor, como é que posso dar ao outro?


Uma das análises que podemos escolher é pensar no seguinte: como é que posso dar ao outro se me esqueço de mim? Onde é que vou buscar o que dou ao outro? O outro pode sentir felicidade se eu não estiver feliz?


Crescemos a pensar que sim. Ensinaram-nos que dar é uma forma de receber. Se pensar que amar é uma troca, a dádiva e o receber acontece de forma natural. Conheci muitas pessoas que deram uma vida e sentem a ingratidão, a injustiça e sentem-se sós. Perguntei-me, muitas vezes, porque sucedia. Observei, pesquisei e concordei com alguns testemunhos que partilharam que só podemos dar, efectivamente, se dermos a nós também. Esse dar é sem expectativa e isso traz o retorno, naturalmente.


Muitas vezes, deparo-me com pessoas que decidem fazer algo pelo motivo errado e, de forma inconsciente, não se apercebem que isso traz o que não querem; depois constatam e dizem: não valeu a pena; porque é que eu dou e não recebo? Porque é que eu não consigo o que quero?


Isso acontece porque o que as impulsiona é um motivo falacioso. O processo dar engloba entrega e empenho. Isto transporta-me para outra ferramenta que ajuda a criar outro pilar, o vivermos o presente. Não intento repetir o que escutamos em algumas esquinas: viver o passado e o futuro não é possível. São factos que conhecemos.


Ora bem, como posso viver o passado sem que isso me traga uma emoção menos afirmativa? Há recordações agradáveis, não as posso viver? As que são menos, o que faço com elas? O passado representa experiências, que podem ser sinónimo, acima de tudo, de aprendizagens. Se as observar dessa forma, há a garantia que somos beneficiados com isso.


As agradáveis, podemos voltar a viver e até engrandecer novos momentos devido a elas. As menos agradáveis, podemos sempre perguntar: o que é que aprendi com essas vivências? Garanto que encontramos sempre uma resposta. Desde que uso esse método, deixei de sofrer com situações que traziam angústia e frustração. Também me faz recordar uma teoria: a da funcionalidade.


Podemos acreditar nisto ou não. Que tudo o que acontece tem uma função para mim e para o outro. Posso escolher com isso ou não. Aprendi que se não apreender, irá surgir uma nova situação semelhante (com o mesmo padrão) de modo a que me seja possibilitado aprender o que é desejável para o meu crescimento.


Aprendemos que há um poder em nós que podemos usar de forma a sermos os primeiros beneficiários e todos os que nos rodeiam, irão ser beneficiados.

Conhecermo-nos, aceitarmo-nos, focarmo-nos em nós, faz parte do nosso desenvolvimento e, com isso, crescemos de forma mais natural e saudável. Aquilo que pensamos determinará o nosso comportamento. É dessa forma que nos damos a conhecer ao outro.


Ao descobrir que podemos mudar/transformar o nosso interior sem deixarmos de ser quem essencialmente somos, vivemos com mais alegria e amor.


É isso que desejas para ti?




Ana Guerra

Terapeuta Holística - Magnified Healing

Email: sonhodumavida@gmail.com

Facebook: Sonho De Uma Vida

sonhodumavida.blogspot.pt/

portugalholistico.com/anaguerra



*A autora não aderiu ao Novo Acordo Ortográfico

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