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A MÚSICA DE UMA VIDA

Por Ana Guerra

O tema deste mês fez-me ter uma retrospectiva de mim própria. Desde sempre, olhei para mim, fosse por desejar compreender-me ou aos outros que viviam ao meu redor.


Em casa, na escola. Observar o comportamento dos outros foi algo que me fascinou desde criança. Descobrir por que agiam como o faziam em vez de ser de outra forma. Porque sofriam, se queixavam, riam, interagiam daquele jeito.


Isso fez com que lesse, desde cedo, sobre o comportamento humano. Com certeza que auxiliou a deixar de fazer juízos de valor sobre como se comportavam, como eram como seres. Constatei que era mais fácil falar do outro sem saber quem é, generalizar as reacções das pessoas.


À medida que cresci, também, descobri que as pessoas dizem uma coisa e fazem outra. Assemelhava-se estranho para mim. Era mais um motivo que me encaminhava para desvendar, sondar, pesquisar, pelos motivos/causas que levavam ao comportamento desta ou de outra maneira. Ao aventurar-me, tornava cada vez mais curiosa. Os porquês não desapareciam. Lia tudo o que conseguia mexer com o meu interior.


Ajudou, desde a adolescência, a escrever sobre o que sentia. Tinha um diário, e esse facto revelou-se, mais tarde, essencial ao meu equilíbrio emocional. Ajudou-me a aprofundar o ser que sou. Mesmo com as reflexões, que fazia, sem a consciência do que elas representavam, foi-me mostrado que solidificou alicerces essenciais para o crescimento emocional.


Adquirindo ferramentas, cada vez mais eficazes, auxiliaram no desempenho das relações com os seres humanos circundantes. Conheci muitas pessoas, durante estes anos todos que caminho. Umas por quem senti admiração, outras que fizeram nascer emoções menos agradáveis, contudo, o resultado tem sido fantástico pelo facto de que aprendi com todas elas. Essas aprendizagens ganharam um rosto constante evidenciando o ser consciente que me tornei.


Desconheço por que possuo o carácter, a personalidade que tenho, acreditando que algumas características foram adquiridas, outras trazia comigo, são inatas. Umas para desenvolver, outras para deixar de alimentar ou simplesmente escolher o melhor lado, para mim. Tudo o que dou a mim, dei ao outro, como sendo uma característica, que associo a um valor transmitido pelo meu pai - a integridade - e em conjunto com o conceito de amor.


Este conceito, diria, é algo que está dentro de mim, como algo que veio comigo ao nascer. Claro que se tornou mais claro à medida que o meu conhecimento crescia, observava como o ser humano agia, fossem os que me rodeavam, como os da sociedade em que vivi, e o que escutava, ouvia ou via em todo o mundo. Gostava de viver num mundo diferente, todavia, descobri que haveria de existir uma causa para aqui estar.


Quando descobri viver em sintonia com esse motivo, isso fez crescer a minha alegria e senti que era importante viver para mim e para o outro. Em que é que isto se torna crucial para dar sentido à minha caminhada? Sobretudo a constatação de quem sou!


Não escondo que foi um percurso com dores, no entanto, sempre vivi de acordo com quem sou. Recordo-me que a maior dor que sentia, nessa área, era o facto de me sentir incompreendida, sentir que era diferente em algumas coisas, e que havia muitas regras que desgostava. Encontrar um balanço equilibrado continua a ser menos desafiante, apesar de permanecer. Gosto muito de ser quem sou, recordando que foi desnecessário anular-me.


Resultava numa dor maior do que ser eu própria, e, por esse motivo, preferia ser quem sou. O que me trazia dor revestia-se de um sinal para transformação. A busca desse desempenho continua até hoje.


Pergunto: sentir necessidade de se ser outro que não nós mesmos, pode significar que ainda não se sabe quem é?


O que queres para ti? Podes conseguir os frutos que desejas, e ser outro ser que não tu próprio/a? Isso quer dizer que tens dificuldade em te aceitares? Qual o motivo que te leva a seres outro ser que não tu? O que podes fazer para viver em harmonia contigo e com o que desejas?


Vivi, ou ainda estou a viver, outra mudança durante esta etapa da minha vida. Creio que não será a última. Estou a renascer no momento em que me instalo num novo espaço. Deito fora o passado, foco-me no que preciso fazer por mim, neste preciso momento.

Sinto, novamente, vontade de aprender, usar o conhecimento construído e viver novas aventuras. A imaginação sente-se viva, colorida. Adoro desafios. Há instantes em que me deleito a visualizar aguarelas do que continuam a ser projectos. Descubro contornos ocultos, parando para descortinar como os tornar reais.


Olho para o passado como uma ferramenta a usar com outras metas. Isso transforma-se em sabedoria. A alegria é uma veste diária. Há relances diários em que me questiono se estou preparada para viver o que desejei. Constatei que, nós humanos, somos artistas em desejar sem preparação. O resultado desse procedimento é logros, ilusões.


A miscelânea de emoções que nos percorre, traz-nos provocações constantes. A fórmula para atinar com um bem-estar reconfortante passa por estar consciente dessas mesmas emoções, mudar os seus cursos se são desagradáveis. Se é possível? Com certeza!


Questionas-te se deixas de ser quem és nesta aprendizagem? Ao seres consciente das tuas emoções, transformas-te num ser mais confiante, assertivo e feliz. Decides, todos os dias, ser quem és. Vês-te, e ao outro, com uma visão diferente. Mais natural e saudável. Parece um cliché, contudo, é este o resultado.


Em determinados círculos tornou-se vulgar, procurar ser-se melhor. Fico satisfeita que, hoje, se decida assim em vez de se ser igual aos demais. Novos paradigmas têm surgido com o objectivo de encontrar estratégias que te façam sentir, cada vez melhor contigo mesmo/a.


Doravante, acontece quando decides empenhares-te em ti. É árduo? É! Todo o trabalho, que te faça usar esforços internos, é garantia de crescimento. Um dos segredos é escolher fluir durante a marcha. Desbloqueiam-se nós, dispersam-se dificuldades, e surgem surpresas que se consideravam impossíveis. Como sei? Experienciei, e tenho tido o privilégio de assistir o mesmo com todos os que se focam em si.


O que é focar em si? É a vivência consigo mesmo/a, tendo feito as escolhas que constroem os sonhos. É um trabalho individual, sem ignorar o espaço onde estamos. Até hoje, ensinaram-nos que olhar para nós era ser egoísta. Ser egoísta é escutar os medos, indecisões, invejas, ignorar quem És em prol do que desejam que sejas, em cobiçar, em agradar o outro e viver para ele, em primeiro lugar.


Tudo o que dás a ti, o outro beneficia.

Quem queres ser? Tu ou o ser que esperam que sejas?



Ana Guerra

Terapeuta Holística - Magnified Healing

Email: sonhodumavida@gmail.com

Facebook: Sonho De Uma Vida

sonhodumavida.blogspot.pt/

portugalholistico.com/anaguerra



*A autora não aderiu ao Novo Acordo Ortográfico

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