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AMOR É LIBERDADE!

Por Margarida Estevam

Nesta sociedade em que vivemos, também devido à sobrevalorização dos bens de consumo e do materialismo, existe o apego de forma exacerbada. Apego a bens materiais, a objetos, a pessoas, a situações, a dores e mágoas, a recordações do Passado...


Até mesmo numa situação dolorosa e de sofrimento pode existir apego, por maior contrassenso que possa existir. Existe um conformismo que faz com que a pessoa se mantenha em determinada circunstância, uma resistência à mudança, o medo de sair da zona de conforto e arriscar. Tudo porque aquilo que é rotina, que é habitual, que podemos dizer que é "nosso", é mais "confortável" do que aquilo que é incerto.


O apego pode-se traduzir pela ligação emocional intensa a algo ou alguém, ligação essa que concede segurança em situações consideradas de "ameaça", ao ser mantida a pessoa ou objeto em proximidade constante. Em última instância, é uma manifestação de sentimento de posse, de necessidade constante de controlo das situações, para que o inesperado não aconteça.


Tantas vezes me deparo no meu dia a dia com situações de pessoas que são apegadas aos Seres que amam, uma quase obsessão dolorosa e doentia. Apego a filhos, pais, cônjuge, amigos... O desapego não significa deixar de amar o Outro, pelo contrário... é dar-lhe a liberdade de que necessita para nos amar e dar-nos a nós a liberdade para amarmos sem restrições, sem obrigações, sem pressões.


É importante não confundirmos Amor com sentimento de posse.


Porque ninguém é nossa propriedade e, precisamente por amarmos estes Seres, é necessário deixá-los livres para que possam amar-nos de coração inteiro, para que possam sentir vontade de estar connosco, de partilhar momentos e vivências e não se sentirem sufocados e prisioneiros numa relação (seja ela de que género for). "Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar, motivos para ficar.", como menciona Dalai Lama. O desapego é um dos exercícios mais difíceis para o ser humano, mas dos mais necessários para a sua evolução e crescimento emocional e espiritual.


Como podemos identificar se estamos a manifestar apego perante alguém?

- Procuramos manter a proximidade, inclusivamente física.

- Resistimos à ideia (e a situações reais) de separação, com ansiedade, tristeza e sentimento de abandono.

- Aquela pessoa é a base para qualquer interação social com outras pessoas, para que esta interação possa acontecer num ambiente de segurança. (Não vamos a nenhum local com outras pessoas se aquela pessoa não for, por exemplo).

- Fazer depender daquela pessoa o apoio emocional e bem-estar, procurando-a como refúgio em momentos de tristeza, medo ou mal-estar emocional.


O natural é que, enquanto crianças, sintamos apego pelos nossos pais, porque são quem nos protege e mantém seguros, quem nos fornece tudo aquilo de que necessitamos para estarmos bem. À medida que vamos crescendo vamos desenvolvendo e alterando a nossa ligação emocional com eles e, consequentemente, com as outras pessoas.


Faz parte do nosso crescimento procurarmos ter independência e procurarmos sentir-nos seguros por nós mesmos, sem necessitarmos de outras pessoas para o garantirem. Quando isso não acontece e fazemos depender de outra pessoa a garantia da sensação de segurança e conforto emocional, se sentimos um corte ou rutura perante essa ligação, os sentimentos que se irão manifestar serão de insegurança, desconfiança, ansiedade, vergonha, desgosto, mal-estar, e até cólera e agressividade.


Porque na essência o sentimento que existe é o de abandono e insegurança, sentimentos baseados na vibração do Medo.


Daí a importância de trabalharmos a questão do desapego, não só pelas outras pessoas, para lhes darmos a liberdade de, no relacionamento connosco, serem quem são de forma genuína e sem pressões, mas também por nós. Para não vivermos na vibração do medo e da insegurança.


É fundamental sentirmos as emoções no Aqui e Agora, sem medo do que poderá acontecer no futuro (momento esse que ainda não chegou e que, na realidade, nunca chega, pois estamos sempre no Presente).


As pessoas estão connosco e presentes na nossa vida no momento em que as energias de ambos ressoam, em que existe sinergia e troca de aprendizagens, em que trazemos algo mais à vida da outra pessoa e ela à nossa. A partir do momento em que essa necessidade não se verifique e as energias não ressoem, pode existir um afastamento, que deve ser encarado como natural, porque cada um de nós tem o seu próprio caminho e é preciso que aceitemos que tudo acontece como tem de acontecer.


Por isso, o melhor conselho é que vibrem no Agora e na energia do Amor. Deixem que quem está na vossa vida esteja porque tem de estar e se sinta livre para permanecer enquanto o desejar, porque essa é a essência do Amor: liberdade.



Margarida Estevam

Magnified Healing, Terapia Multidimensional, Mestre de Reiki, Leitura Intuitiva de Tarot dos Anjos, Mesa Radiónica, Astrologia do Ki das 9 Estrelas (Feng Shui)

Email: alquimiadoserterapia@gmail.com

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