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AMOR-PRÓPRIO NÃO É EGOÍSMO

Por Joana Vasconcelos

Uma das coisas que toda a gente mais procura nesta vida é um amor. Um romance eterno, daqueles que se veem nos contos de fadas. Desde muito cedo, principalmente as mulheres, sonham com um príncipe encantado que, com ou sem cavalo branco, as encontrará e com ele serão felizes para sempre.


Mas, nos dias de hoje, reparo que são cada vez mais raros os romances que duram uma vida inteira. Os motivos podem ser vários, poderíamos aqui enumerar uns quantos, mas penso que todos estamos de acordo neste ponto.


Contudo, há um amor que dura a vida toda, o nosso amor-próprio. A única coisa que temos de fazer é encontra-lo.


Pode ser difícil, mas, depois de o encontrarmos e de entendermos que somos o que somos, com qualidades e defeitos, ele nunca mais desaparece nem nenhum amor se iguala a esse.


Isto porque, só quando nos amamos a nós próprios é que conseguimos amar o próximo. Alguém com baixa autoestima, que duvida de si próprio e que coloca sempre os outros como melhores ou superiores, nunca conseguirá ter uma relação verdadeiramente feliz com outra pessoa, logo, nunca será, nem fará, ninguém totalmente feliz.


Será sempre uma pessoa ciumenta, desconfiada, controladora que fará de tudo para manter a outra pessoa ao seu lado, subjugando-se ou, muitas vezes, até anulando-se totalmente. É nesse momento que morre também o nosso amor-próprio.


Podemos, e devemos, amar alguém. Amar o nosso companheiro/a, os nossos pais, os nossos filhos e até os nossos amigos, mas nunca devemos esquecermo-nos do mais importante: amarmo-nos a nós próprios em primeiro lugar.


Mas ter amor-próprio pode, muitas vezes, ser considerado e visto pelos outros como ser egoísta, o que não corresponde de todo à verdade. Muitas pessoas confundem estas duas definições e acabam por não compreender, realmente, o que ambas significam.


Ser egoísta é só pensar em si, sem se preocupar com o bem estar dos que o rodeiam. É não se preocupar se as suas atitudes podem magoar alguém, se podem prejudicar o outro, pensando apenas no seu próprio proveito. Ser egoísta é colocar os seus interesses acima de tudo.


Mas ter amor-próprio é saber perdoar quando se sente que se tem de perdoar e saber dizer ‘chega’ quando é necessário, porque nos incomoda ou nos faz sentir menos bem. Ter amor-próprio é até gostar muito de algo, mas ter de desistir disso porque, de alguma maneira, nos prejudica.


Ter amor-próprio não significa que não pensemos nos outros e no seu bem estar. Muito pelo contrário, muitas das pessoas que já encontraram o seu amor-próprio, são as primeiras a tentar ajudar os outros. Significa, simplesmente, que nos colocamos em primeiro lugar, custe o que custar, e muitas vezes custa-nos mais a nós do que aos outros. Porque muitas vezes ter amor-próprio pode significar até deixar algo ou alguém que gostamos, mas que, no fundo, não nos completa nem nos faz bem.


Alguém que se ama verdadeiramente nunca terá medo de ficar sozinho. Sabe que está com a pessoa que mais ama, e é verdadeiro consigo mesmo em todos os sentidos. Mas não é fácil de chegar a este ponto.


Uma das formas de começarmos a olhar mais para nós e começarmos a conhecermo-nos é a meditar. A meditação é uma forma de nos conectarmos com o nosso eu interior e sabermos o que somos de verdade.


Há outras formas, claro, mas a meditação pode superar todas. E passo a explicar. Uma das técnicas mais conhecidas é o do espelho, de nos olharmos ao espelho e dizermos frases motivadoras. Funciona, de facto, e muita gente é prova viva disso. Mas o que muitos não sabem é que podemos fazer o mesmo a meditar.


Por exemplo, uma das meditações que utilizo quando sei que não vou conseguir dizer tudo o que quero a alguém, seja pela distância, seja pela falta de vontade da outra parte de ouvir e compreender o meu lado, é meditar e concentrar-me nessa pessoa. Imaginar que ela está sentada à minha frente e dizer-lhe ali, cara a cara, durante a meditação, tudo o que me vai no coração.


É uma forma de, não só aliviarmos o que “temos entalado”, como também de aliviarmos o nosso coração e, principalmente, sermos verdadeiros connosco próprios. É a nossa forma de demonstrarmos o nosso amor-próprio, sendo fiéis ao que sentimos e ao que somos e sem magoarmos ninguém.


Esse, para mim, é o começo do maior romance que teremos na nossa vida, connosco próprios.


E o mais surpreendente é que é um romance que nunca esmorece, porque, à medida que nos vamos conhecendo, mesmo compreendendo que temos feitios complicados, manias ou defeitos, queremos ser melhores, não por alguém, mas por nós próprios. Queremos que aquele amor não desapareça e, para isso, tentamos sempre melhorar.



Joana Vasconcelos

Mestre de Reiki, Cristaloterapia, Radiestesia

http://apequenareikiana.blogs.sapo.pt/

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