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CADA PRIMAVERA É SEMPRE UMA NOVA OPORTUNIDADE

Por Joana Vasconcelos

Quando nascemos, nunca sabemos o que nos espera na realidade. Apesar de, desde muito novos, a maior parte de nós saber o quer para o futuro - seja ser médico, professor, astronauta, cabeleireiro, casar, ter filhos ou viajar pelo mundo – a vida encarrega-se, na maior parte das vezes, de nos fazer mudar as nossas opções.


Somos educados pelos pais, pelos professores, somos influenciados por eles e pelo nosso grupo de amigos, mas, no fundo, nada nos prepara para descobrirmos quem verdadeiramente somos enquanto seres humanos.


À medida que vamos crescendo, vamos também aprendendo com os erros e com aqueles que vamos encontrando pelo caminho. Vamos mudando as nossas opiniões, gostos, características, vamos aprendendo a nos reencontrar e lidar com as situações do quotidiano, assim como a lidar com pessoas e emoções para as quais nunca nos prepararam.


Mas a vida é isso mesmo, certo? É aprender com os erros, aprender com quem nos rodeia, venham por bem ou por mal.


Porque, no fundo, tudo são lições para que possamos ser melhores pessoas no futuro. Só temos de aproveitar o que nos é dado, e “fazer a melhor limonada possível com os piores limões”.


Se olharmos para trás, com certeza, veremos que não somos os mesmos de há 5 ou 10 anos. Claro que há coisas que nunca mudam, que fazem parte da nossa personalidade. Mas, de certo, houve alguma situação, alguma pessoa, alguma coisa na nossa vida que nos fez mudar.


Porque todos os que entram na nossa vida, entram por um motivo. Seja ele qual for. Por vezes, podemos não nos aperceber logo disso, mas, mais tarde, quando for necessário, vamo-nos lembrar e vamos entender.


E, muitas vezes, sem aviso prévio, vemo-nos na iminência de ter de mudar, radicalmente, algo. Seja a profissão, seja a nossa relação, seja uma mudança inesperada ou a nossa própria maneira de ser. Mas tudo isso, embora na altura possa parecer desesperante, acaba por nos fazer crescer, por nos fazer renascer. Uma e outra vez.


E esse renascimento é essencial.


A personalidade e características de cada um não são imutáveis. Se assim fosse, que estaríamos aqui a fazer? Qual seria o nosso propósito de vida? Todos temos a aprender uns com os outros. Todos podemos, e devemos, mudar e melhorar o nosso ser, enquanto humanos.


Tal como a primavera, que faz as flores e as árvores florir a cada ano, também nós vamos mudando de ano para ano. Estamos constantemente à procura do rumo certo. E como sabemos qual o rumo certo? Simplesmente sabemos, porque as coisas fluem, porque nos sentimos bem, porque parece que a vida ganha outra cor.


À medida que vamos acumulando anos de experiência de vida, vamos tornando-nos pessoas diferentes. Essa diferença é o que nos distingue enquanto seres humanos, o que nos diferencia dos restantes e nos aproxima de alguns. É essa diversidade de seres humanos que povoam o mundo que faz com que todos sejamos professores e alunos, ao mesmo tempo, e que encontremos o nosso próprio rumo, que pode mudar, várias vezes.


E nada há a temer em mudar. Muitas pessoas receiam as mudanças, fogem delas e escondem-se nos seus casulos, como fazemos no inverno quando nos enfiamos debaixo das mantas e cobertores para proteger do frio. Mas, cada primavera é uma nova oportunidade para mudarmos. Para sairmos do escuro e apreciar as cores da vida.


Cada primavera é uma oportunidade para um novo recomeço. Sem medos, sem receios, sem questionar o que os outros irão pensar disso. Se não der certo, haverá sempre outra primavera para recomeçar. O importante é recomeçar quando sentimos que tal é necessário.


Porque recomeçar não significa fracassar, significa determinação, vontade de mudar, vontade de ser e fazer mais e melhor. Significa termos consciência que não somos perfeitos e aceitarmos que podemos cair, como as folhas, mas que iremos sempre renascer, de outra forma, mais fortes, mais determinados e mais conscientes de nós próprios.


E a primavera obriga-nos a abrir a janela, a ver o outro, a aprender com o outro. A ver a bondade e beleza do que nos rodeia e inspira. A deixar-nos inspirar e retirar as camadas que fomos criando. A sermos, nós próprios, cada vez mais nós próprios.


Como diz Clarice Lispector, “Sejamos como a primavera que renasce cada dia mais bela… Exatamente porque nunca são as mesmas flores”. Sejamos como a primavera. Sejamos sempre um livro à espera de mais páginas para acrescentar. Sejamos sempre um recipiente disponível para deixar quem nos aparece à frente nos dar a conhecer algo de diferente. Sejamos sempre alunos desejosos de aprender. Sejamos sempre, humanos.



Joana Vasconcelos

Terapeuta de Reiki

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