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CONSISTÊNCIA – A SEMENTE QUE CRIA MIL FLORESTAS

Por Diana Pereira

Desde sempre o Homem procurou observar e compreender a Natureza, procurando nela as respostas às suas perguntas – fossem essas sobre o mundo e o Universo, ou sobre processos internos do próprio Homem na sua relação consigo mesmo, com os outros e/ou com o mundo.


E a verdade é que, milénios após milénios, as respostas sempre estiveram lá à nossa espera para serem descobertas.


Respostas simples, directas, irrefutáveis, claras como a água desde que estejamos disponíveis para ouvir a música da Natureza e o som da nossa própria essência a cantarem em harmonia. Mas para isto é necessário descomplicar as artimanhas que a nossa mente arranja. Por toda a parte encontramos lições e conselhos de vida, setas que nos apontam o caminho a seguir, que nos guiam nos trilhos inexplorados da vida. A Natureza é sábia e tudo temos a aprender com ela.


Por vezes, queremos muito atingir determinado objectivo, queremos muito conseguir algo nas nossas vidas, mas não conseguimos. Fazemos tudo o que devemos, mas, mesmo assim, não chega. Ficamos aquém, como se o que queremos nos fugisse por entre os dedos. Não nos falta motivação e dedicação. Sabemos o que temos de fazer e até metemos em prática. Temos ideias, projectos, somos criativos e lutadores, mas os resultados não surgem. Dia após dia, semana após semana, mês após mês, e mesmo ano após ano, esforçamo-nos sem qualquer resultado.


A frustração toma conta de nós e acabamos por desistir dos nossos sonhos, dos nossos objectivos de vida. Parece que a vida se encarrega de nos barrar o caminho. A cada curva surgem obstáculos que nos deixam para trás, que nos fazem questionar se não estamos a apostar no cavalo errado. O caminho devia ser outro? Ou seremos nós pouco capazes para a envergadura da missão a que nos propusemos?


Um dos principais motivos para esta estagnação é a falta de consistência nas nossas acções e nas nossas decisões.


É algo tão simples que pode rapidamente mudar o nosso destino sem grande esforço. Sabemos o que fazer, e fazemos realmente, mas a questão é – com que frequência o fazemos? Seguimos um caminho e destino bem definidos ou disparamos em todos os sentidos para ver o que corre melhor? Quantos projectos e ideias temos ao mesmo tempo em acção? Quantos métodos diferentes usamos em simultâneo para que cada um dos projectos/ideias tenha sucesso? Quanto tempo e esforço dispendemos em cada um deles?


A consistência fala-nos de foco e de persistência. Primeiro que tudo, é preciso definir prioridades dentro do leque de possibilidades que temos. Para o nosso destino, qual o caminho ou caminhos que mais facilmente/rapidamente nos levarão onde queremos? Ou quais os caminhos/destinos que mais têm a ver com quem somos e o que queremos? É por aí que devemos seguir. Sem grandes raciocínios e dissertações. É fácil.

Depois de sabermos qual/quais o(s) caminho(s)/destino(s) temos de saber quais os métodos a aplicar. Sem complicar também aqui. Escolhamos aquilo com que nos sentimos mais à vontade, que seja mais pragmático e nos dê prazer fazer.


Algo que vai contra a nossa natureza nunca correrá bem. Nunca deixará a criatividade fluir nem nunca terá o nosso cunho pessoal. Consequentemente, nunca será um grande sucesso, mesmo que cheguemos ao final do percurso a conseguir aquilo que queríamos. É preciso sentir cada passo do caminho para que a chegada ao destino seja, realmente, recompensadora.


Uma vez escolhido o caminho/destino e métodos, é preciso manter o foco e não desistir. É um trabalho que deve ser feito constantemente e não apenas uma vez por outra, quando nos lembramos. Podemos manter um evento na nossa agenda, reservar um dia na semana ou arranjar qualquer outro mecanismo. Até o despertador do telemóvel! É necessário mantermo-nos constantemente centrados no plano que traçamos – sem desculpas!


Outra coisa muito importante, também, é o modo como vemos as coisas. Muitas vezes, podemos até estar a ir no caminho certo, e a tomar todas as decisões acertadas, com consistência nas nossas acções, mas o nosso negativismo faz-nos duvidar de tudo, pôr tudo em causa.


Por vezes, os obstáculos são sinais de que não estamos no caminho certo e devemos mudar de projecto/ideia. Mas muitas vezes não é essa a razão. Se temos a certeza de estar no caminho do nosso coração, é preciso que entendamos os obstáculos. Eles podem ser lições e guias extraordinários, preciosíssimos. Podem querer dizer-nos algo e temos de estar atentos. Eles podem dizer-nos o que é necessário melhorar, aperfeiçoar, e não necessariamente que tudo esteja errado.


O que correu mal? Porque correu mal? Depois de se analisar e entender, é ajustar para que não volte a acontecer. É muito importante não cair no erro da vitimização: tudo me acontece, é sempre a mim, eu que faço tudo bem tenho sempre destes azares. Isto não resolve o problema porque nos desresponsabilizamos. Se nos desresponsabilizamos, significa que não vamos nunca tentar mudar e melhorar-nos, já que o erro não foi nosso nem temos qualquer tipo de influência no que nos acontece.


Como referi no início do texto, todas as respostas estão na Natureza.


Um rio que tenha dez afluentes, será sempre um rio que perde força. Cada um desses afluentes desvia-se do motivo máximo de um rio: chegar ao oceano. Além disso, na Natureza não existe esforço, não existe despropósito. A consistência está em todo o lado. A Primavera é a Primavera, e não haverá folhas a cair nesta altura do ano. Também não teremos 40ºc no pico do Inverno.


Assim, o importante a reter é: não dispersar e não desistir. Os esforços devem estar concentrados numa só frente para que os resultados surjam. Depois, é só estar aberto às mudanças que a magia acontece por si só. A Natureza é justa. Plante esta semente, trate dela e espere que a Natureza a germine e a faça crescer forte. As recompensas chegam sempre a quem as merece.


Muito Amor,



Diana Pereira


*A autora não aderiu ao Novo Acordo Ortográfico


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