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ESCRITA TERAPÊUTICA NA PRÁTICA

Por Ricardo Fonseca


O tema desta edição da revista Portugal Holístico baseia-se na frase de Ralph Waldo Emerson “A criação de mil florestas está numa semente”, pelo que, neste artigo, irei abordar a escrita terapêutica como um modo de semear emoções, criando assim mil florestas emocionais, onde podemos comungar a beleza das emoções que nos unem e que nutrem o nosso Viver.


Quando escrevemos sobre algo, sobre e para alguém, estamos a semear emoções, quer no nosso coração, quer no coração daqueles que nos leem, cultivando sementes emocionais que poderão originar majestosas árvores de sentimentos, que irão, de certo modo, criar novas sementes, novas emoções que serão, novamente, semeadas nos nossos corações.


Como todos sabemos, podemos escrever sobre tudo o que nos rodeia, tudo o que sentimos, pensamos, quer seja para nós próprios, cultivando os nossos solos emocionais, quer seja como forma de cultivo dos campos emocionais daqueles que recebem as nossas palavras, as nossas emoções e, por isso, neste artigo, irei demonstrar alguns exemplos práticos da escrita terapêutica como um modo de semear emoções.


Um modo de semear emoções positivas, sabendo que podemos escrever sobre emoções positivas e menos positivas, é, por exemplo, a elaboração da Carta do Elogio, uma carta escrita quer para nós mesmos quer para outros que queiramos elogiar, pelas suas capacidades, habilidades, vitórias, sucessos, competências, enaltecendo o mérito pessoal e/ou profissional, sabendo que, desse modo, iremos semear sementes de autoestima, de amor-próprio, de motivação.


Para elaborar a Carta do Elogio, não temos que seguir nenhuma regra rígida de escrita, mas tão-somente deixar fluir as nossas emoções, quais sementes espalhadas no nosso ser, escrevendo sobre as nossas capacidades e habilidades, enaltecendo que somos capazes de fazer e/ou viver algo com excelência, que somos bons profissionais, que somos bons seres humanos, sendo que podemos utilizar o mesmo modelo para elogiar o Outro. Assim, para espalhar as primeiras sementes basta começar da seguinte maneira “Eu elogio-me/te porque (…)” e deixar fluir as nossas emoções.


A Carta de Gratidão é outro exemplo de como nos podemos transformar em semeador de emoções, através das nossas palavras, que são as sementes que queremos cultivar, onde agradecemos pelas bênçãos do nosso Viver, quer tenham chegado até nós de um modo mais ou menos positivo, agradecemos a presença de alguém na nossa vida, agradecemos o Amor, a Amizade, a Vida.


Esta carta pode ser, de igual modo, escrita para nós mesmos, escrevendo os motivos pelos quais somos gratos, pelo que nos permitimos viver, receber, dar, aprender e para o Outro a quem queremos agradecer por um gesto, uma palavra, uma presença, pelas emoções que se comungam, pela sua vida na nossa vida. É uma carta repleta de emoções muito positivas, mesmo que possamos estar a escrever sobre algo menos positivo que nos tenha acontecido, mas pela qual estamos, nos dias de hoje, gratos em consciência e verdade.


Escrever a Carta de Gratidão tem como regra base deixar as nossas emoções fluir, sem juízos de valor, reconhecendo os verdadeiros motivos pelos quais somos gratos, quer sejam simples detalhes da vida, quer sejam grandiosos momentos, pois todas as sementes emocionais são importantes independentemente do seu tamanho, da sua carga mais ou menos positiva, pois são parte de nós, do nosso campo emocional.


Para elaborar esta carta podemos começar do seguinte modo, se for dirigida a nós próprios “Eu sou imensamente Grato, a mim mesmo, por me permitir viver (…), por me permitir sentir (…), por ser como sou, por lutar (…)”, se for escrita para entregar a alguém pode ser iniciada do seguinte modo “Eu sou imensamente Grato, por seres vida na minha vida, porque tu me fazes sentir (…), por o que me dás, pelo que partilhámos (…) e depois é deixar fluir as nossas emoções, que se transformam em palavras que as semeiam no coração de quem nos lê.


Escrever é semear emoções, sendo que no caso da escrita terapêutica, as palavras transformam-se em sementes de cura, como se ao serem lidas e integradas no nosso ser, transformem a nossa consciência com o seu poder e potencial terapêutico, ajudando-nos a vivenciar os nossos processos de cura com o reconhecimento, compreensão e integração de todas as emoções que fazem parte de nós e que queremos partilhar com o mundo.


Assim, caros leitores, não deixem de escrever, de semear as vossas emoções no vosso coração, no coração de quem vos lê; partilhem as vossas sementes que poderão germinar nos campos emocionais preparados para as receber, para darem vida a novos sentimentos, a novas emoções, com um novo potencial, com o poder de transformar o vosso sentir e o vosso ser!



Ricardo Fonseca

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