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ESCRITA TERAPÊUTICA NA PRÁTICA - AGOSTO

Por Ricardo Fonseca

O tema desta edição da revista Portugal Holístico baseia-se na frase de Érico Veríssimo “Enquanto as estrelas brilharem, ainda haverá esperança na Vida”, pelo que, neste artigo, irei abordar a temática da esperança, partilhando convosco alguns exercícios de escrita terapêutica, visando promover o reconhecimento e integração da esperança na nossa Vida.


O conceito de esperança, por mais que haja um significado nos dicionários, é transmutável, transformando-se de pessoa para pessoa, consoante a área da nossa vida onde a esperança existe e onde é necessária, passando pela crença em algo superior, associando-se ao ato de ter fé em algo/alguém, relacionando-se com sentimentos de otimismo, confiança, motivação e determinação. É uma constante na vida de cada um de nós, apesar de, muitas vezes, ora é vivenciada normalmente, ora pode estar diminuída, carecendo de algo que a faça renovar em nós.


Cada um de nós consegue refletir sobre os seus níveis de esperança, avaliando o seu papel na nossa vida, quando a mesma é necessária, quando precisa de ser nutrida e o que interfere com a sua presença na nossa vida e de que modo influencia as nossas escolhas, decisões, a forma como vivemos e até gerimos as nossas emoções, pois a esperança, para muito de nós, é a luz que nos guia, o farol que nos faz navegar nas tormentas emocionais onde nos perdemos tantas vezes e, por este motivo e tantos outros, precisamos nutrir a esperança, reconhecendo o seu papel no nosso Viver.


O primeiro passo, utilizando a escrita terapêutica, para reconhecer a esperança na nossa vida é a realização de um exercício que consiste na criação de uma Lista de Esperança, onde vamos escrever e identificar os níveis de esperança na nossa vida, tal como vamos identificar quais os fatores que aumentam a nossa esperança e quais aqueles que a fazem diminuir ou mesmo parecer escassa. Com este exercício pretende-se a identificação das áreas da nossa vida onde será necessário gerir as nossas emoções, para que se possam restabelecer os níveis de esperança na nossa vida, enaltecendo o que aumenta a nossa esperança, nutrindo onde ela escasseia.


O segundo exercício consiste na criação de uma segunda Lista de Esperança, desta vez relacionada com as nossas relações e relacionamentos, ou seja, quais são as relações que aumentam e potenciam a nossa esperança e quais são aquelas que interferem de um modo menos positivo na esperança na nossa vida, interferindo com as nossas emoções, com a nossa relação connosco mesmos e com quem nos rodeia. Esta identificação, ao criar esta lista, é muito importante e útil, pois permite-nos reconhecer quais as relações que precisamos nutrir, as que precisamos avaliar, questionando se fazem sentido na nossa vida, se devem ou não continuar, dado que interferem com o nosso sentir de um modo nada positivo.


A criação destas duas listas permitem identificar tudo o que interfere de forma positiva e menos positiva na nossa Vida, criando a nossa base e alicerce para a continuidade do poder terapêutico da escrita, onde podemos associar diversos exercícios, já mencionados em artigos anteriores, de modo a potenciar a nossa esperança, a enaltecer a sua importância na nossa Vida.


Um dos exemplos de exercícios de escrita que podemos associar, ao escrever sobre esperança, é novamente a elaboração da Carta de Gratidão, onde podemos agradecer àquelas pessoas que fazem com que a nossa esperança aumente, que nos ajudam a acreditar num futuro mais risonho e otimista, que nos fazem ter fé no ser humano, carta essa onde agradecemos a importância dessa pessoa da nossa Vida.


Também podemos associar um exercício de escrita terapêutica que consiste na elaboração da Carta de Despedida, onde nos despedimos, ao nosso ritmo, dentro do nosso tempo daquilo que diminui a nossa esperança, daquela relação que a inibe e nos impede de a viver em plenitude.


É uma carta que precisa de um foco muito especial para ser elaborada, pois só poderá ser elaborada quando estamos preparados para deixar partir alguém ou algo da nossa Vida, para que possamos fazer brilhar novamente a esperança na nossa vida, que se encontrava escondida durante algum tempo.


Ao mesmo tempo, podemos elaborar um exercício de escrita que consiste na redação de uma carta para nós mesmos, onde tentamos responder às seguintes questões “Estou atento, em consciência, à esperança na minha Vida, nutrindo-a diariamente? Em que momentos sinto falta de esperança? Em que momentos sinto a presença da esperança na minha Vida?”. Ao responder a estas questões vamos poder viver um importante e delicado processo de reflexão sobre a forma como vivemos, como expressamos as nossas emoções, como nos permitimos influenciar pelo negativismo ao nosso redor, pela opinião alheia, que tão-somente querem interferir com a nossa esperança na Vida.


De facto, a esperança mostra a sua luz em todos os momentos, não sendo apenas nos momentos de dor, de medo e dúvida em que precisamos de acreditar, confiar em algo, para sentirmos que podemos avançar, pois ela existe no toque, no abraço, no sorriso, nas palavras que expressamos para alguém ler e, esses momentos, podem ser o mote para diferentes exercícios de escrita, onde tão-somente, vamos escrever sobre a forma como somos promotores ou inibidores na vida de alguém e como essas pessoas têm o mesmo papel e/ou poder no nosso Viver.


Escrevam, se aceitarem o meu conselho, sobre o que acreditam, o que vos faz mover, quais as estrelas/emoções/momentos/pessoas que vos fazem sorrir de esperança e enaltecem o vosso viver.




Ricardo Fonseca

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