• Artigos

ESCRITA TERAPÊUTICA NA PRÁTICA - JUNHO

Por Ricardo Fonseca

O tema desta edição da revista Portugal Holístico baseia-se na frase de Oscar Wilde, “Amar a si mesmo é o começo de um romance para toda a Vida”, pelo que, neste artigo, irei abordar, através da partilha de diversos exercícios de escrita terapêutica, o modo como podemos enaltecer o amor que sentimos por nós mesmos e como podemos enaltecer a nossa autoestima.


Amar a nós mesmos é um processo que nem sempre é simples e muito fácil, por mais que digamos que gostamos de nós como somos, pois há sempre algo que gostaríamos de mudar, algo que gostaríamos de ter ou não ter, o que vai interferir com o amor que sentimos por nós mesmos e com a nossa autoestima. O facto de querermos mudar algo em nós mesmos não implica, de todo, que não sintamos Amor por quem somos e, por isso, através de exercícios de escrita, vamos então enaltecer esse sentimento tão nobre que nutrimos em nós.


Antes de começar a partilhar os exercícios em si, gostaria de começar com um guia orientador para os restantes exercícios, elaborando uma lista que se chama O que gosto em mim, que é uma lista onde vou identificar as minhas qualidades, que prefiro chamar as minhas características positivas. Após elaborar esta lista (sabendo que é um processo contínuo de identificação), vou criar a lista O que não gosto em mim, onde vou identificar as minhas características menos positivas, conhecidas por defeitos (acredito que o ser humano não tem defeitos, mas sim os objetos), para poder reconhecer o que estará a interferir com o meu romance comigo mesmo.


Estas listas vão ajudar a desenvolver os restantes exercícios, sendo que o primeiro exercício é a elaboração da Carta Para Mim, onde vamos conversar connosco mesmos, como se houvesse um diálogo entre o nosso corpo e o nosso interior, sendo esse diálogo muito revelador do que sentimos neste momento em que escrevemos a carta, pois iremos identificar o que não gostamos em nós, o que gostamos, o que queremos mudar, o que temos para aceitar, de modo a potenciar o nosso amor-próprio. É uma carta que pode começar da seguinte forma “Olá (colocamos o nosso nome), estou a escrever-te porque gostaria de conversar contigo sobre tudo o que temos vivido, partilhando contigo o meu sentir, na esperança de poder encontrar algumas respostas, em mim mesmo, que me ajudem a reconhecer quem sou e o que sinto (…) ”.


Outro modelo de carta que podemos elaborar e que enaltece o nosso romance pessoal é a Carta do Elogio, onde vou escrever para mim mesmo reconhecendo as minhas capacidades, competências, habilidades, de modo a olhar para mim mesmo e aceitar os meus méritos e conquistas, para que possa reconhecer-me como bom profissional, como bom amigo, bom familiar, independentemente de não receber qualquer elogio do Outro. A Carta do Elogio, pode ser iniciada da seguinte forma “Eu (colocamos o nosso nome) quero elogiar-me por ter conquistado/atingido os meus objetivos, metas/ por ter superado/por ser bom profissional dando o meu melhor, sendo que não fico dependente do elogio do Outro, que quando chega até mim é um bónus para o meu sentir (…) Reconheço as minhas qualidades/capacidades/competências (…) “.


Agora que conversámos connosco mesmos, que nos elogiamos, também temos que desenvolver algum exercício relacionado com a aceitação do que não gostamos em nós, ou seja, aceitar que é parte integrante do que e quem somos, o que gostamos e não gostamos em nós, pois só assim poderemos desenvolver estratégias de mudança, de transformação. Neste sentido podemos elaborar um modelo de exercício, baseando-nos na lista “O que não gosto em mim”, que pode ser elaborado da seguinte forma “Eu não gosto de ser/sentir/viver/pensar sobre mim e sobre o meu viver, porém aceito que é parte integrante de quem sou e como vivo e que, para poder viver bem comigo mesmo, enamorar-me por mim mesmo, preciso de aceitar a totalidade do meu ser, tal como é, e para tal vou desenvolver as seguintes estratégias (… )”.


Enaltecer o Amor por nós mesmos é, em certa parte, um processo contínuo, pois iremos viver momentos em que não gostamos tanto de nós, mas que seja por reconhecermos em nós que fizemos algo menos bom, sentimos algo menos positivo, e não por vestirmos o que o Outro disse sobre nós. De modo a viver este processo de um modo mais saudável, podemos desenvolver um exercício simples, estabelecendo um compromisso connosco mesmos, começando da seguinte forma “Eu comprometo-me a ouvir a opinião do Outro, porém eu tenho a certeza do que sou, como sou, como quero ser, não permitindo que o julgamento/crítica alheia interfiram com o Amor que nutro por mim e para isso, vou (…), enaltecendo o meu Ser e Viver.


Um mantra que podemos trazer todos os dias na nossa agenda, carteira e/ou telemóvel, pode ser o seguinte “Eu Amo-me tal como Sou, com as minhas características mais e menos positivas, com o meu sentir e todas as emoções que habitam em mim, porque sou Belo, Único e Original, por isso, comprometo-me a cuidar de mim, a amar-me cada dia mais, enaltecendo o Amor por mim, o meu Ser e o meu Viver!”




Ricardo Fonseca

Facebook: Ricardo Fonseca – Escritor

Site: www.semearemocoes.com

  • YouTube