• Artigos

ESCRITA TERAPÊUTICA NA PRÁTICA - MARÇO

Por Ricardo Fonseca

O tema desta edição da revista Portugal Holístico baseia-se na frase de Cecília Meireles "Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira”, pelo que, neste artigo, irei abordar de que a forma a escrita terapêutica poderá ajudar a gerir as emoções associadas com os vários cortes que precisamos fazer durante o nosso percurso de vida, para que possamos viver os nossos diversos renascimentos.


Todos nós, durante a nossa Vida, já vivemos situações em que precisámos de cortar ou excluir algo que criava diversas emoções em nós, para que pudéssemos renascer, sentir que estávamos a viver um novo ciclo onde nos sentíamos mais inteiros, por termos eliminado o que não fazia sentido, mesmo que esse ato de eliminar tivesse grandes repercussões emocionais. Muitas vezes, sentíamos como se estivéssemos a viver as nossas primaveras, tal como a autora Cecília Meireles afirmou, para que pudéssemos então renascer mais conscientes e com as nossas emoções geridas de forma consciente e saudável.


No que diz respeito ao papel a Escrita Terapêutica na gestão de emoções relacionadas com o ato de cortar algo da nossa Vida ou do nosso Ser, podem ser realizados diversos exercícios que nos ajudam a enveredar por alguns processos de análise e reflexão para servirem de guia para a nossa caminhada e para gerirmos as nossas emoções de forma mais saudável, sabendo que todos os processos de reflexão causam, por si só, novas emoções que também precisam de ser acolhidas, sentidas e trabalhadas, para não ficarem acumuladas e a causar mais feridas emocionais no nosso Ser.


Assim, à luz da Escrita Terapêutica, podemos começar com a elaboração da Lista de Eliminação onde, em consciência, vamos enumerar quais são as situações, as relações, as vivências que queremos e precisamos eliminar na Vida, ou seja, por não fazerem mais sentido, por as estarmos a manter por comodismo e/ou inércia ou porque ainda não tivemos a coragem de nos libertarmos do medo de dizer adeus, dizer basta e que queremos algo novo na nossa Vida. Nessa lista, elaborada em consciência e sem juízos de valor, podemos escrever o nome de tudo aquilo que precisa ser analisado e cuja reflexão é vital para o nosso bem-estar, permitindo que tudo o que for embora dê lugar a algo novo, onde, conscientemente, nos possamos sentir mais confiantes, positivos e mais felizes.


Ao mesmo tempo, a par da Lista de Eliminação será muito importante elaborar a Lista de Manutenção, ou seja, aquela lista onde vamos enumerar tudo aquilo que queremos manter na nossa Vida, porque ainda faz sentido, porque ainda não estamos prontos para dizer adeus (sem qualquer sentimento de culpabilização associado por não nos sentirmos capazes), sendo que a reflexão que precisa ser feita e pode ser realizada por escrito é sobre o que precisamos mudar na nossa forma de ser e de viver, para manter algo na nossa Vida com qualidade e com sentido. É muito importante perceber que mesmo para manter algo na nossa Vida, porque assim o queremos, é preciso cuidar do que queremos manter, regar, adubar, limar, de modo a que seja benéfica e saudável essa vivência.


Tendo em conta o que foi escrito nestas duas listas, podemos avançar para a realização de um outro exercício, que vai pedir uma maior consciencialização, sem juízos de valor e críticas, que será a elaboração de um texto reflexivo onde iremos responder a algumas questões, como por exemplo, “Porque mantenho diversas situações/relações na minha Vida, mesmo sabendo que não têm sentido?”, “Porque quero manter estas situações/relações na minha Vida, se não tenho cuidado das mesmas?”, “O que preciso mudar para deixar ir o que tem que ir ou mesmo ser o motor da sua despedida?”. Estas questões irão conduzir a um longo e profundo processo de reflexão sobre a forma como temos lidado com as mais diversas situações e relações na nossa Vida, conduzindo a uma nova reflexão sobre um tema já sugerido que é a questão do Medo que nos impede de lidar com as mais diversas situações, mesmo quando temos a consciência que não as queremos na nossa Vida.


Sugiro que se ainda não realizou o seu exercício sobre o Medo, que o faça juntamente com os exercícios sugeridos neste artigo, respondendo às seguintes questões “Quais são os meus Medos? Os meus medos impedem-me de quê?”. Responder a estas questões vai ajudar a perceber porque mantemos diversos padrões na nossa Vida, tão-somente porque temos medo de encarar as situações, medo de arriscar ou vivemos outras emoções que nos obrigam a ficar presos no comodismo e a fugir da mudança, que conscientemente, sabemos que é necessária para sermos mais felizes.


Agora que elaborámos estes exercícios de Escrita Terapêutica que servem de guia orientador para a nossa reflexão pessoal, podemos criar um novo texto onde respondemos à seguinte questão “O que eu quero de novo para a minha Vida?”, sendo que ao refletirmos sobre este assunto podemos escrever sobre o que queremos receber quando nos sentirmos novamente inteiros, com mais energia para viver, depois de fazermos os cortes que são necessários, pois é preciso podar os ramos que estão a secar para que brotem ramos novos.


Relembro que os textos são para ser escritos ao vosso ritmo, sem pressas, não havendo de todo o certo ou errado, mas tão-somente a genuinidade do vosso sentir, das vossas emoções.


Bons exercícios de escrita e boas reflexões.




Ricardo Fonseca

Facebook: Ricardo Fonseca – Escritor

Site: www.semearemocoes.com

  • YouTube