• Artigos

ESCRITA TERAPÊUTICA NA PRÁTICA - SETEMBRO

Por Ricardo Fonseca

O tema desta edição da revista Portugal Holístico baseia-se na frase de Khalil Gibran “A simplicidade é o último degrau da sabedoria”, pelo que, neste artigo, irei abordar a temática da vivência, valorização e importância da simplicidade para a nossa Vida, partilhando convosco alguns exercícios de escrita terapêutica.


Todos nós já ouvimos ou lemos várias frases como “valorizar as coisas simples da Vida”, “quanto mais simples, mais bonito e mais humilde”, “se apreciarmos a simplicidade da vida estamos a preparar-nos para apreciar a grandiosidade do nossos viver”, porém, mesmo já tendo escutado estas frases, muitas pessoas sentem dificuldade em aceitar e valorizar a simplicidade na sua vida, estando apenas despertos para o que haverá de grandeza no seu viver, esquecendo-se que as conquistas fazem-se degrau a degrau e que precisamos de valorizar o que é simples para podermos atingir o que é grandioso.


No que diz respeito ao papel da Escrita Terapêutica na valorização da simplicidade na nossa vida, existem vários tipos de exercícios que podem ser elaborados, de modo a reconhecer onde a simplicidade reside na nossa vida, para que possamos reconhecer a abundância que existe no nosso ser, com consciência e humildade. São exercícios simples que podem ser elaborados diariamente por todos nós, para que, ao tornarem-se uma prática diária, sejam como uns mantras de simplicidade, que podem guiar o nosso percurso de vida.


Um dos primeiros exercícios de escrita que posso sugerir é a elaboração de um texto de reflexão sobre a identificação da simplicidade na nossa Vida respondendo à seguinte questão “O que é a simplicidade para mim?”. Ao responder a esta questão vamos criando numa outra folha de papel a Lista de Simplicidade, onde vamos anotando os momentos, as situações, as vivências onde identificamos a simplicidade na nossa Vida, por mais banais que possam parecer, pois não serão de todo banais, mas sim majestosamente simples. Esta lista servirá de ajuda para a criação de muitos mais exercícios de escrita terapêutica que permitirão gerir, de um modo consciente e saudável, as nossas emoções.


Um dos exemplos que posso referir pode ser o facto de termos anotado, na Lista da Simplicidade, uma relação que vivamos neste momento, como algo belo, simples e tão importante para a nossa vida e, se assim for, posso então elaborar uma Carta de Gratidão para agradecer a essa pessoa tudo o que vivemos em conjunto, a oportunidade que oferecemos um ao Outro de sentirmos e respirarmos a simplicidade dos afetos, dos sentimentos e das emoções. Esta Carta da Gratidão pode ser replicada por várias pessoas a quem queiramos agradecer a sua vida na nossa Vida, tal como pode ser elaborada para nós mesmos, onde nos agradecemos por nos permitirmos viver coisas simples, sejam eles quais forem.


Outra forma de viver, com sabedoria, a simplicidade na nossa vida é refletirmos sobre as nossas emoções e sentimentos, reconhecendo o quão simples é podemos sentir cada emoção como parte de nós, que apesar de ser simples é tão grandioso para o nosso viver, quando vivida e sentida em consciência. Com esta identificação da simplicidade das emoções e sentimentos podemos criar pequenas frases que nos podem acompanhar diariamente como pequenos mantras, podendo dar como exemplo “É tão simples viver o Amor e Amar”, “A minha vida é simples, como todas as minhas emoções”, entre outras frases que serão como um guia para os nossos dias.


Contrariando um pouco o conceito da simplicidade e da forma como a vivemos, podemos também criar um exercício de escrita onde podemos questionar-nos sobre o porquê de querermos sempre coisa grandiosas, sem reconhecermos o tanto que existe em nós e podemos escrever um texto reflexivo respondendo à seguinte questão “Porque apenas consigo pensar na grandiosidade, sem reconhecer a simplicidade do que sou e tenho?”.


Neste texto reflexivo, o objetivo da escrita terapêutica é que cada um de nós questione de que forma está a viver a sua vida, se está a criar grandes expetativas, muitas vezes irrealistas sobre a sua vida, se considera o seu conhecimento algo grandioso, sem se questionar se, de facto, a sua sabedoria provém dessa grandiosidade ou da contemplação da simplicidade na sua vida.


Após a elaboração destes exercícios de escrita terapêutica, podemos elaborar um outro texto onde responderemos à questão “O que preciso para viver a simplicidade na minha Vida”, sendo que, neste texto, ao responder a várias inquietações condicionadas por esta questão, poderemos encontrar respostas e soluções para começarmos a apreciar e viver a simplicidade da nossa vida, que nos vai permitir subir os degraus do conhecimento, valorizando cada conquista, cada passo, como algo simples e necessário para o nosso crescimento, evolução e transformação.


Reconhecemos a simplicidade na nossa Vida ao percebermos que toda a conquista e aprendizagem começa por simples passos, onde a cada instante vou acrescentando valor à minha Vida, com toda a simplicidade e humildade em reconhecer a importância de cada passo, valorizando cada instante de luta, de esforço, motivação e empenho, que nos permitem atingir, ao nosso ritmo, a consciência de que viver é simples, ser feliz é simples, basta que apreciemos a simplicidade em Ser e Viver.




Ricardo Fonseca

Facebook: Ricardo Fonseca – Escritor

Site: www.semearemocoes.com

  • YouTube