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ESPELHO, ESPELHO MEU, EXISTE ALGUÉM MAIS BELA E AMADA DO QUE EU?

Por Patricia Tolezano

Se a resposta a esta pergunta não for: “sim, tu mesma”, o conto de fadas da tua vida pode não ter um “happy end”.

Não há como exteriorizar amor, respeito e amizade se isto não fizer parte da minha força interior. Não há como interiorizar beleza, graça, alegria e luz se eu não acreditar que tudo isto faz parte da minha força exterior. Entretanto, para isto, o meu desapego a padrões e crenças arraigadas que me façam sofrer precisam ser exercitados.

Mas como? Praticando um exercício simples e poderoso: Aceito, entrego, confio e sou grata.

1. Aceito: Aceito que todos são o melhor que conseguem, mesmo que sejam diferentes. Cada um está no seu processo, na sua experiência. Por isto, defendo o respeito à individualidade de qualquer pessoa, a começar por mim.

2. Entrego: Quero amar com entrega e desapego. Por isto, entrego-me a mim mesma, aos meus pensamentos, sentimentos e ações, quaisquer que sejam. Entretanto, supero-me a cada dia e busco o meu melhor em mim, sem falsos padrões estereotipados ou pré-determinados.

3. Confio: Confio que mesmo que não pareça, está tudo certo dentro do meu processo evolutivo. E não há senões aqui. Não importa se eu pareça ter sido injustiçado, se o objeto do meu amor se foi ou se algo se perdeu pelo caminho. Tenho que permanecer crendo que o amor, a justiça, a perseverança e a felicidade estão em mim e não no outro. E logo, tudo se encaixa.

4. Agradeço: Como o que não é missão, é lição, e está tudo certo, eu sou grata a tudo e a todos. Nada do que vivi foi em vão. As vitórias, as derrotas, os ganhos e as perdas foram podas e adubos necessários ao crescimento e evolução da espécie Eu.

Mas, isto é fácil? Sim e não.


Sim, porque nada é impossível para deuses. E nós somos seres divinos. E não, pois se fosse fácil não estaríamos aqui uns com os outros num grande treino chamado vida.


Entretanto, para resistir ao treino é preciso a persistência de nos conhecermos e aceitarmos. Então, que comecemos os trabalhos. Não há profissional milagroso que conserte o equipamento sem ligá-lo.


Assim, sintonizar-nos é o primeiro passo. Quem sou? O que quero? O que não quero? O que quero, mas não me honra? Como fazer para alcançar o que quero e me livrar do que não me honra? E como identificar os dois? Sem julgamentos ou punições aos outros e a mim.


Perguntas abrem caminhos às respostas. Entretanto, querer responde-las sinceramente faz-nos caminhar. O querer tem que ser entendido aqui como gesto, não apenas pensamento.


Não há receita que funcione sem as mãos que misturam os ingredientes. Não há resultado sem produto. Não há mudança se o objeto em questão não quer passar à ação. Nas nossas mãos está toda a raiz do destino, as veias da realização e a hipótese do arbítrio libertário.


Assim, ao agir com aceitação, entrega, confiança e gratidão, enxergo que tudo que vejo ou sinto no outro nada mais é do que um espelho do que está em mim, mesmo que não veja ou sinta.


Então, afasto a auto rejeição e amo sem restrições ou moderações a mim mesmo primeiro, pois este é o caso de amor mais duradouro e do qual emana toda a felicidade e realização possíveis, e pergunto e respondo sem medo: espelho, espelho meu, pessoa mais bela e amada do que eu, não existiu, existe ou existirá.



Patricia Tolezano

Jornalista, escritora, poeta, terapeuta de Reiki e leitora de aura

patriciatolezano@gmail.com

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