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O ARQUÉTIPO DA MORTE

Por Diana Pereira

O Tarot é um método divinatório que nos ajuda a compreender o passado, viver o presente e preparar o futuro. Nele temos todo um ciclo de vida, ensinamentos que nos guiam nas nossas escolhas.


Uma das cartas mais enigmáticas é “A Morte”, o XIII arcano maior do baralho, a carta mais temida de todas. No entanto, como todas as cartas, tem um lado positivo e um lado negativo, uma lição de vida em forma de mensagem envolta de simbologia.


A carta simboliza o fim de algo, usualmente o fim de um ciclo que poderá ser uma doença, um relacionamento, um trabalho ou um conflito, sendo que esse fim poderá ser doloroso, mas nem por isso tem de ser visto como algo negativo, ainda que possa ser assustador.


Fala-nos da necessidade de haver um fim para que se possa dar um recomeço, tal como nos ensina o número 13, por tantos considerado um número de má sorte. Por um fim ser seguido de um recomeço, por um ciclo se seguir a outro, esta carta simboliza ainda a imortalidade da vida, o ciclo interminável da existência.


Esta carta causa sempre medo e desconforto, como sempre nos causa o que não conhecemos. A morte é sem dúvida das maiores incógnitas para qualquer pessoa, causando sempre arrepios e medo, por não sabermos o que acontece, se existe algo depois da morte ou se, simplesmente, desaparecemos.


Um dos símbolos mais repetitivos nas cartas que representam “A Morte” nos mais variados baralhos, é a caveira. Também ela nos traz uma importante lição a reter na vida. A caveira simboliza o que de mais interno e imutável existe no ser humano, que não desaparece nem depois da morte. Sendo que a caveira é igual, não importando nenhuma característica especial da pessoa (crença, ideologia, raça, orientação sexual), ela demonstra-nos que, na essência, todos somos iguais.


“A Morte” diz-nos para deixarmos ir o que não faz mais falta, para deixarmos de nos apegar, pois nada é realmente nosso e quanto mais nos apegamos, e nos deixamos prender, mais depressa isso nos é tirado para que o entendamos. Dá-nos a certeza de que a vida trata de trazer até nós os acontecimentos necessários para que percebamos que não podemos conter nada e que tudo na vida tem de fluir, pois tudo o que é natural, é livre, é dinâmico, é espontâneo, e o que não flui acaba por morrer.


O ponto principal a reter é o de que a mudança é o que nos impulsiona a crescer enquanto pessoas. É ao sabermos lidar com o desapontamento, com o inesperado, com a adversidade que vamos conseguindo retirar as camadas mais superficiais do nosso “Ego”, trazendo à tona o nosso verdadeiro “Eu”.


“A Morte” ensina-nos a enfrentar o desconhecido, a deixar de ter medo do que não controlamos, a perceber qual o tempo de deixar ir, o tempo de seguir em frente. Ensina-nos a perceber quando algo ainda faz sentido, ou quando passou a ser apenas mais um peso nas suas costas.


Há que confiar na vida, no Universo, em Deus, acreditar que existe um sentido, um significado para tudo o que acontece, mesmo que de início possamos não o ver ou entender. Também o medo e a insegurança devem morrer, para dar lugar à certeza e ao amor.


A natureza é um espelho perfeito da realidade das nossas vidas, e não nos podemos esquecer que é necessário o frio e aridez do Inverno para que a Primavera possa surgir em todo o seu esplendor. E quanto mais rigoroso o Inverno, maior o potencial de fertilidade da Primavera que virá.


Viva a Morte.



Muito Amor,


Diana Pereira

Mestre de Reiki, Taróloga, Cristaloterapeuta

+351 96 581 58 58 / moonlight073@outlook.pt

www.moonlight-terapias.blogspot.com

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