• Artigos

O "CÉU" É UM LUGAR NA TERRA

Por Adosinda Borges

Como já dizia uma música de grande sucesso no final da década de 80, de Belinda Carlisle, "Heaven is a place on Earth" (o "Céu" é um lugar na Terra)...


É verdade! O "Céu" não é somente um lugar para onde vamos depois de morrermos, se nos tivermos "portado bem" durante a nossa vida terrena. O "Céu" (paraíso) pode ser aqui mesmo na Terra, onde quer que estejamos, desde que pratiquemos o Amor Incondicional.


O "Céu" não é um "lugar", mas uma vibração ou um nível de consciência mais elevado a que todos podemos ascender e ao qual estamos todos a ascender, cada um ao seu ritmo. O "Céu" é uma vibração de Amor Incondicional, "material" de que todos somos feitos, pois somos uma parte de Deus, simplesmente nos esquecemos disso quando reencarnámos nesta dimensão física.


Ao reencarnarmos esquecemos, propositadamente, quem somos para vivermos experiências (ao longo de muitas vidas) que nos vão recordando a nossa origem divina e o nosso propósito de vida. Não reencarnamos só para resolver questões cármicas, mas também para cumprir missões a que a nossa alma se propôs antes de reencarnar. A missão suprema de qualquer alma é sempre a de voltar à essência, ou seja, despir-se de qualquer ego e ser e, consequentemente, agir, como puro Amor Incondicional, tal como a Fonte de onde partiu (Deus).


Tal como na história da pequena alma e do sol, contada por Deus, no livro 1 (1ª parte da história, a 2ª parte encontra-se no livro 3), da trilogia "Conversas com Deus", de Neale Donald Walsh1, a pequena alma sabia que era luz e de onde vinha, só havia luz e nada mais, era como uma vela ao sol. Portanto, no meio de tanta luz, ela não conseguia ver-se a si mesma, nem experienciar-se como ela É. Então, Deus disse-lhe que deveria separar-se da Fonte (Deus) e cobrir-se de escuridão (que era tudo o que a pequena alma não era). A pequena alma assim fez, mas no meio de tanta escuridão, pôs-se a gritar: "Pai, pai porque me abandonaste?".


Assim se exemplifica que somos todos Luz. A nossa essência é o Amor Incondicional mas, para o experienciarmos, tivemos de esquecer que o somos para podermos vivenciar a escuridão, o que fazemos através do ego, uma "entidade" que se considera separada de tudo e todos. É o nosso falso eu.


Desta forma, vamos fazendo a nossa caminhada, vivendo muitas experiências e estabelecendo muitas relações, todas elas com o objetivo de nos irem limando as arestas no sentido de nos moldarem até atingirmos a perfeição daquilo que somos: a nossa essência, o Amor Incondicional. Como disse Ram Dass2: "we're just walking each other home" (estamos só a ajudar-nos uns aos outros a regressar a casa).


À medida que cada vez mais pessoas vão despertando para a sua essência (ou origem divina), vão também afetando todos os outros à sua volta, começando um efeito dominó e, assim, vamos criando o "Céu" na Terra, que é o mesmo que dizer uma nova Terra, diferente de tudo o que conhecemos até aqui.


Está mudança reflete-se ao nível dos valores de conduta humana e, consequentemente, nos comportamentos. Quando entendemos que não existe separação, que partimos todos da mesma Fonte e para lá voltamos, entendemos que somos todos Um e que, portanto, o que fazemos ao outro, seja algo de positivo ou negativo, é a nós que o fazemos. Com este entendimento, a competição dá lugar à cooperação. Este é um valor fundamental, pois une-nos em torno de um mesmo objetivo, que é o bem comum.


Esta consciência vai afetar a educação ou o sistema de ensino que ainda impera nas nossas sociedades ditas desenvolvidas, que o que faz é preparar as futuras gerações para serem adultos competitivos, onde só os mais fortes vencem. No entanto, nem tudo é negativo. Aqui e ali, já começam a brotar sementes de esperança. Já ouvimos falar de escolas que utilizam a prática da meditação como forma de diminuir a ansiedade nas crianças, mantendo-as calmas e concentradas. Há até estatísticas que dizem que nestas escolas a violência diminuiu consideravelmente. Como disse Dalai Lama, "se todas as crianças, a partir dos oito anos começassem a praticar meditação regularmente, a violência no mundo seria erradicada em uma geração".


A competitividade que governa o mundo é gerada, acima de tudo, pela crença na escassez, pelo medo de não haver o suficiente para todos. Ora, o medo é o oposto do Amor. Ou estamos numa vibração de medo, em que acreditamos que temos de lutar para ter a nossa parte, pois o que há (dinheiro, bens essenciais, recursos naturais, etc.) não chega para todos e, portanto, temos de competir para termos a nossa parte e, se possível, até mais do que necessitamos (para nos sentirmos mais seguros e por mais tempo) ou vivemos numa vibração de Amor, em que nos reconhecemos a nós próprios nos outros e, portanto, vamos querer o bem do outro como queremos o nosso. Além disso, como dizia Louise Hay3: "existem recursos suficientes neste planeta para todos, só temos de partilhar".


Com esta consciência acaba-se a pressão para ser o melhor na escola, para arranjar o trabalho mais bem pago e podemos colocar toda a nossa energia em formas de darmos bom uso aos nossos talentos. Todos nós nascemos com talentos que, por vezes, se manifestam muito cedo, na altura da infância, ou mais tarde, já na idade adulta, mas que, muitas vezes, são abafados ou pelos pais ou pela própria sociedade, pois, de alguma forma, não são valorizados como tendo potencial para criarem carreiras de sucesso, ou status social.


A verdade é que renegar os talentos que trazemos connosco, poderá traduzir-se numa vida inteira de infelicidade, pois estamos a contrariar o desejo da nossa alma.


No entanto, é esta mesma insatisfação que conduz à mudança, que nos leva a sair da nossa zona de conforto e a procurar o que nos entusiasma. E quando encontramos, vamos saber, pois vamos sentir uma leveza e uma paz interior como nunca sentimos antes. E o dinheiro? O dinheiro, é como diz o Bishop TDJakes4: "quando estiveres a fazer o que amas, não tens de perseguir o dinheiro, é o dinheiro que te persegue a ti".


E a ironia disto é que quando já tivermos alcançado uma consciência divina, ou seja, quando começarmos a viver de acordo com a nossa essência, todo o conforto material que achávamos tão importante, vai perder todo o sentido, pois a alma já alcançou tudo o que a preenche... O amor pelo que faz e o amor por todos à sua volta (pois não existem "os outros") e assim criamos o "Céu" na Terra.





1Neale Donald Walsh a quem Deus ditou o conteúdo da trilogia “Conversas com Deus”. É um mensageiro espiritual da Nova Era. Cumpre esta missão através desses livros e de muitos outros que tem escrito e também das palestras que dá pelo mundo inteiro.

2 Ram Dass, mestre espiritual e escritor (americano), cujo livro mais famoso tem o título "Be Here Now".

3 Louise Hay, considerada uma das fundadoras do movimento de auto-ajuda (afirmações positivas) e escritora de inúmeros livros de sucesso, que têm como principal tónica a relação entre as emoções e as doenças.

4 Bishop TD Jakes, pastor de uma Igreja americana. Foi reconhecido como o melhor e mais influente pregador pela revista Times e pelo jornal The New York Times.




Adosinda Borges

Terapeuta Espiritual

sindaborges@yahoo.com

  • YouTube