O QUE O AMOR E O TRABALHO TERAPÊUTICO TÊM EM COMUM?

Por Alberto Faria


Quando entramos num processo de tratamento, cura ou aperfeiçoamento do Eu Interno, definir o que é o Amor torna-se uma tarefa titânica, pois o amor, visto pela ótica humana, pode conter várias formas: Amor fraternal, platónico, universal, ao conhecimento, ao Cristo, próprio, etc. 


Entretanto, amor é Amor e o mais “praticado” nestes nossos tempos é justamente o amor próprio.


Definindo que Amor é um sentimento nobre - quiçá mais que um sentimento - ele pode ser expresso na forma de aceitação, contribuição, um carinho e um afeto que se desenvolve entre seres numa partilha mais próxima, uma capacidade de entrega, motivada pela felicidade de proteger e abraçar aqueles que de um calor mais que humano necessitem.


Infelizmente, o amor próprio é substituído por um ego que ama a si próprio. Ter “amor próprio”, ou seja, amar-se e compreender-se a si mesmo, facilitaria muito o processo de entreajuda em todos e quaisquer trabalhos terapêuticos, pois este conhece-se e sabendo disto, pode utilizar de suas maravilhosas faculdades ou dons para orientar um processo de cura no atendimento ao seu cliente.


Verdadeiramente, quando isso ocorre é de se louvar, pois a função da terapia tem uma porta aberta para um processo efetivo de cura.


Muitos, e quando digo muitos, digo mesmo “muitos”, trabalham para satisfazer seus enormes apetites de autorreconhecimento e autorrecompensa; isto pode gerar um rol de problemas (…), desafios estes que muitos mais tarde não conseguem trabalhar, pois os pacientes podem transportar em sua psique mais traumas que antes.


Se os nossos clientes perdem um contacto mais íntimo com o seu ser interior, necessariamente, procuram-nos para auxiliar neste resgate, como se de um construtor de pontes se tratasse. Recolher, organizar, estruturar e arrumar todas as peças de um grande puzzle pode ser uma tarefa muito pouco ortodoxa e até mesmo intemperante.


Fazendo isto com entrega e assertividade, acabamos por diminuir a distância entre o paciente e o seu eu interno, e este deve ser o propósito de um bom terapeuta.

Contudo, cada pessoa que procure um profissional deve estar preparada para deixar-se levar, sentir que está naquele exato momento disponível para ser trabalhada a 100%. Claro que deve haver compreensão e alguma cumplicidade entre ambos; porém, o papel mais importante nisso é o trabalho interno e a capacidade de entrega que o terapeuta pode despender ao seu paciente e este, despender do seu amor próprio para ser trabalhado eficazmente.


Porque ambos podem possuir amor por si próprio, algo egoico como, pena de si mesmo versus mostrar que sabe do assunto, é algo que deve ser previsto e evitada a disseminação destas emoções inflamadas. Este é certamente um processo comum e nocivo a todos.


Ambos, de forma muito contrária àquilo que se pensa, devem eliminar o sentimento do amor próprio, do amor interessado somente por si mesmo e trabalhar.

Quando isso acontece, toda a frustração termina, toda incapacidade capacita-se, todas as barreiras criadas desmoronam-se.


A vida torna-se bastante mais longa para todos os que partilham e prosperam, vivendo pequenos momentos de felicidade e de entrega. Torna-se mais emocionante quando cada um age de acordo com o seu papel neste grande “teatro cósmico”.


E para que tudo flua e abranja condições cada vez maiores e melhores, toda as terapias deveriam ser verdadeiros “jardins” de compreensão e amor, florindo o princípio ativo da criação, ou seja, a capacidade de doação e entrega a todos os seres que dele necessitam, eliminando a mente como objeto único de sobrevivência: uma vez que você descobre que não é a sua mente, algo transcendente ocorre.

De repente, todos os problemas tornam-se desafios e aos poucos vão sendo compreendidos e superados. Quando se age com o ego, cada vez mais e mais há “problemas” insolúveis…  aí não há amor, há sim um interesse, somente.


Seja autêntico; autenticidade e amor deixam-nos vislumbrar o que há de mais real em nós, tanto terapeutas como clientes. Somente a Verdade conhece a Verdade; somente o autêntico reconhece a Verdade; só o Amor, constrói.


Alberto Faria Terapeuta e Fundador do "Caminhos Convergentes" albertofaria.pt@gmail.com / @caminhosconvergentes

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