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O QUE TE AMPARA E GUIA?

Por Carmen Marangoni

Uma dinâmica muito utilizada no Brasil e que deve ter sido aplicada em muitos lugares do mundo em palestras motivacionais consistia em fechar os olhos e deixar-se cair para trás com eles fechados. A gente sabia que tinha pessoas ali para nos segurar. Então, era só fechar os olhos e se jogar, porque não iríamos cair.


Ainda assim, não era fácil. Confesso que, na primeira tentativa, não consegui. Completei o exercício, mas foi só uma caidinha pra trás. Temerosa. Tímida. Não foi uma entrega. Depois, voltei a fazer, por coincidência, esta dinâmica pelo menos umas duas ou três vezes. E percebi que em alguns momentos da vida era mais fácil fechar os olhos e jogar o corpo. É claro que tinha a ver com a situação que vivia no momento.


É evidente que hoje, apesar de saber disso como ninguém, ainda não posso adivinhar se seria mais tranquilo ou não jogar-me para trás na confiança de que não teria uma queda livre. Lá aprendia-se que é preciso confiar no outro. Era uma atividade para desenvolver o trabalho em equipa. Mas agora penso que este simples exercício tem muito a ver com fé.


Na vida, muitas vezes, precisamos seguir sem nenhuma certeza aparente. Não é o mesmo que fechar os olhos e se jogar para trás sabendo que alguém nos irá acudir. É caminhar de olhos abertos para os próximos capítulos da própria vida sem ter nenhuma garantia. E todo mundo faz isso. Por mais que tenha um plano de negócios elaborado, não tem a garantia de que a empresa vai dar certo. Por mais que receba um sim no altar, não consegue prever se o matrimónio será para a vida inteira. Por mais que não tenha problemas para gerar filhos, não sabe se os terá. Porque, na verdade, a vida não é um espaço para garantias, mas para experimentação.


Então, quem nos guia? Pode haver uma série de nomes e explicações para isso.


Ultimamente, tenho tentado seguir a intuição. Porque estou entendendo que ela é a voz de Deus dentro de mim. E por mais bonito que possa parecer, e por mais que confie que Deus que me fala, é difícil praticar. É difícil fechar os olhos e se deixar cair para trás.


É preciso confiar numa coisa que a gente mesmo não vê. Há muitas formas de arrancarmos esta coragem de um jeito leve e feliz. Depois que comecei a perceber e querer conhecer a espiritualidade, tenho-me percebido muito, mas muito mais, positiva. Gosto de dizer que me aproximar de Deus me tornou uma pessoa mais feliz. É porque a gente percebe que já não está no escuro. É porque a gente consegue sorrir mesmo na escuridão. A gente vai tentando dançar no meio da chuva. E sabe porquê? Porque sabemos que somos amparados. Somos acolhidos por um amor universal que nos celebra minuto a minuto.


Assim, a vida fica muito mais um contemplar de acontecimentos do que um tortuoso andar de olhos fechados. Então, a escritora Helen Keller podia estar sorrindo sem todas as respostas ao escrever que “O otimismo é a fé em ação. Nada se pode levar a efeito sem otimismo.” Gostaria de arriscar dizer que a gente enxerga luz onde muita gente não vê.


Para me despedir, gostaria ainda de falar que, se tivermos opção, e maravilhosamente temos, talvez seja melhor atravessar a vida sorrindo. E, também queria fazer uma perguntinha: quando foi que fechou os olhos e se deixou conduzir? E o que era mesmo que te guiava? Adoraria saber e conversar sobre as respostas, mas mesmo que não me chegue nenhuma, vou gostar de saber que você teve coragem de se lançar.


A vida é mesmo um espetáculo de desafio, ainda mais quando temos o amor como a nossa maior proteção. E agora prometo que estou mesmo me despedindo, mas acabo de perceber uma coincidência fantástica: você já reparou que a palavra fevereiro começa com 'fé'? Talvez seja um convite.




Carmen Marangoni Jornalista - MTB 13.086 55 (47) 988243756

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