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PARA UMA BELA FESTA NÃO CONVIDE O MEDO

Por Patricia Tolezano

Resolvi dar uma festa. E caprichei na lista de convidados: o amor, a alegria, a harmonia, a prosperidade, o perdão. Parece pouco, mas era um pessoal bem legal e efusivo, que animaria qualquer ambiente, pensei entusiasmada. Convidado desagradável ou desajustado não havia ali.


Entretanto, ao chegarem à minha festa, os meus convidados foram avisados que havia condições para a sua permanência num ambiente tão exclusivo! Ao amor, disse como ele teria que se vestir; a DJ alegria foi informada que apenas algumas músicas poderiam ser tocadas; a harmonia estava estonteante demais e dei-lhe uma trava; quando o perdão convidou-me para dançar, eu disse agora não, tenho uma festa para organizar, quem sabe mais tarde?!; a prosperidade que não é boba, tratou de procurar outro lugar e saiu de fininho, sem dar-se ao trabalho de avisar.


Quando o medo viu-me impor condições aos meus convidados mais ilustres, percebeu a oportunidade de participar da minha festa, apesar de não ter sido convidado. Conversou rapidamente com a hostess vibração e, por mais que não fizesse parte da lista, colocou lá alguns amigos seus antes para criar o clima propício para a sua entrada triunfal.


Assim, primeiro chegou a frustração, seguida imediatamente pelo anseio. Elas dançaram sem timidez com meu desânimo e desta forma, abri a porta da minha festa ao medo, aquele convidado indesejado que aumenta o volume da música até ensurdecer-nos para que deixemos de conversar com os outros convidados e prestemos atenção apenas nele.


Quando dei por mim, ele já mandava na festa e dizia quem podia e não podia entrar e ficar. E eu de mãos dadas com o medo desafinei o ritmo, pisei no pé do amor, estraguei o clima e expulsei os convidados fixes da festa que prometia ser espetacular.


Estraguei algumas festas assim. Mas, não desisti e continuei a organizar outras tantas e com as tentativas, aprendi. Portanto, agora, quando faço a minha festa, deixo os meus convidados fazerem o que quiserem, serem eles próprios e não um reflexo do que eu gostaria que fossem. Converso com o amor sem importar-me com a sua roupa, a alegria fala a língua que quiser, a harmonia dança com quem lhe apetecer e não espero o perdão tirar-me para dançar, pois bailo a todo o momento com ele e brindo com a prosperidade.


Deste modo, eles vão ficando e vão trazendo mais gente legal da turma deles para festejar comigo. E dançamos todos e cantamos juntos e brindamos o prazer que é viver sem impor condições ou limites. O medo olha pela janela e não encontra ninguém para conversar e deslocado vai-se embora, à procura de outro lugar menos iluminado para estar. A vibração envia-lhe um sorriso de despedida e o medo finalmente sai porque além de não encontrar seu nome na lista, percebe que ali não haverá nenhum amigo com quem partilhar.


E eu, finalmente, aprendo a lição que Charles Chaplin nos deixou: a festa, “como a vida é maravilhosa se não se tem medo dela” ou nela.



Patricia Tolezano

Jornalista, escritora, poeta, terapeuta de Reiki e leitora de aura

patriciatolezano@gmail.com

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