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POR QUE NÃO REALIZAMOS OS NOSSOS SONHOS? PORQUE NÃO OS TEMOS

Por Alberto Faria

Hoje em dia, quando abordamos uma palavra, e como elas são muito vazias de significado ou deturpadas pelos calões da língua onde se encontra, temos de ter a preocupação “do quê” estamos a falar.


De forma simples e categórica, a pergunta estaria completa numa simples frase: Por que não realizamos os nossos sonhos? Porque não os temos.


Sonhos, na verdade temo-los muito poucos. Quando utilizamos a palavra de forma adequada não esvaziamos seu conteúdo e propagamos o autoconhecimento, e isso deve ser pensado e sentido em todas as instâncias do nosso ser para não propagarmos a ignorância. As palavras não podem ser vazias, e geralmente não nos importamos muito em saber seus significados, somente papagueamos o que ouvimos.


O que são Sonhos?


Quando dizemos que alguém é sonhador, estamos, de facto, a referir-nos que ela (a pessoa) é alguém fantasiosa, que tem muitas especulações, que vive no mundo da lua. É um “sonhador” que vive com a cabeça nos céus, levando uma vida muitíssimo prática e não desenvolvendo as suas capacidades.


Os Sonhos têm diferenças básicas; são projectos que pretendem ser trazidos à vida com muita imaginação, em algum momento. Realizam-se na nossa vida, utilizando a criatividade e a força de vontade como arma de arremesso, e tudo segue num plano para substituir a frustração da não-realização que a fantasia não pode cumprir. Ele pretende trazer à vida uma realidade em algum momento, e este projecto cumpre-se, move-nos para o futuro e faz-nos crescer.


As frustrações são indícios de que vivemos em fantasias ou fora do nosso centro magnético, e não têm motivação alguma para plasmar-se em realidade.


Vivemos numa sociedade que induz à evasão colectiva para o mundo da fantasia, pelo mundo ser muito frustrante; é mais fácil viver na fantasia, com tendência à inércia, ao menor esforço (…) e estamos a educar os nossos filhos com esta filosofia vigente de forma gratuita, socialmente aceitável. Todos aplaudem de pé a frustração alheia, quiçá, pela necessidade de também serem aplaudidos, aquando do seu fracasso, ou para não cair no ridículo de se sentir diferente da manada.


São formas de compensação das frustrações, pois o padrão de felicidade é completamente voltado ao consumo, com isso, muitos não podem alcançar este padrão e evadem suas parcas consciências para o mundo do consumismo, sentindo um poder (ilusório) e satisfazendo as suas frustrações. É um modo de evasão ridículo para aqueles que procuram o conhecimento interno e o crescimento a esferas mais superiores do Ser.


Quando perdemos o nosso eixo central magnético, vivemos à deriva numa série de emoções turbulentas, que nos fazem perder energias necessárias para a nossa elevação, seja a que nível for. Vivemos a vida da personagem de um filme, de uma novela ou de uma embalagem de cerveja ou refrigerantes, que são altamente tóxicas para o nosso caminho espiritual. É claro que podemos beber uma cerveja ou refrigerante, ver um bom filme (…), mas nunca perdermo-nos numa torrente de emoções desencontradas e nocivas. Imaginem agora, sobre uma discussão acerca de futebol ou política? Há cabimento nisto?


Todos lutam para compensar as suas frustrações por não serem um político “bem-sucedido” ou um jogador de futebol que ganha “rios de dinheiro” para não produzir absolutamente nada, somente inveja, ira, orgulho e luxúria, a mando de grandes corporações que, suas necessidades básicas é fazerem-nos sentir cada vez mais frustrados e controlados.


Saiamos desta rotina e deste buraco existencial.


Sonhos não têm nada a ver com fantasias; a fantasia não tem razão alguma de se projectar na realidade. Sonho é um projecto que, num determinado momento, é exequível e vem para a prática.


Sonhos e projectos também têm as suas diferenças: Um sonho refere-se ao plano do Ser e justifica todo o empenho de uma vida, não parte dela. Um Projecto está mais ligado ao terreno do Ter, do Fazer, do Parecer, e pode não justificar um empenho de uma vida.


Imaginem que o sonho de uma vida é comprar um carro. Quando este carro for comprado, a vida acaba? Se for uma viagem para completar um determinado curso que melhoraria todo um projecto de vida. Acabou o curso, isto é um sonho? Não e não. Eram projectos, simplesmente.


Entretanto, se este carro e o curso servirem de trampolim para uma melhor forma de estar e reverter num crescimento de capacidades e melhorarem o modo de vida, isso reverte mais para o mundo do Ser. Os projectos também podem falhar. E daí? Acabaram-se os sonhos e os projectos de vida?


Os sonhos são arestas que devem ser polidas com o tempo e a vontade; é uma flor que deve ser regada e alimentada a nutrientes e sol, todos os dias (…), projectos falham, mas sonhos não. Os sonhos farão do ser humano aquilo que ele realmente deve ser, um produto final, realizado, sempre na perspectiva de saber o que realmente quero “realizar” em mim, não “fora” de mim.


Um Sonho refere-se sempre ao plano do Ser. Sonhemos e as portas das possibilidades infinitas estarão à nossa disposição.




Alberto Faria

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