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QUANDO O APEGO DEIXA DE SER SAUDÁVEL

Por Ana Guerra

Gostaria de vos falar sobre o Apego. Nos dias que correm, é usual ouvirmos dizer que o Apego é algo que não devemos alimentar.


Antes de seguir por esse caminho, fazer alusão à Teoria do Apego/Vínculo de John Bolby pode ajudar-nos a compreender porque é que em adultos o Apego é uma emoção que permanece, transformando-se num sentimento expresso por comportamentos de dependência e egocentrismo. Ao apreendermos a origem e o processo mental, é mais fácil encontrar a estratégia da sua dissolução quando se torna prejudicial à harmonia interior de cada ser.                


John Bolby fala-nos da importância do vínculo entre mãe-filho (ou do ser que cria); o quanto é crucial esse apego para o desenvolvimento da criança (que será o adulto de amanhã), ou se quisermos observar em muitas espécies animais e daí a referência à perspectiva etológica de Bolby.


O ser indefeso procura a segurança. À medida que cresce, durante o seu desenvolvimento o desapego é uma das infra-estruturas para o seu amadurecimento, sendo caracterizada pelo fortalecimento da confiança em si mesmo. Este seria o processo natural, como podemos observar em outras espécies nos seres vivos.

No entanto, nem sempre as condições necessárias para esta auto-estima se encontram presentes, durante o processo de desenvolvimento. O ser humano tem tendência a alimentar esse apego.


Existem factores que contribuem para esse procedimento, tais como valores transmitidos pelos progenitores e pares sociais. Por exemplo, os pais transmitem aquilo que lhes foi transmitido: a crença de que o vínculo deve permanecer porque isso significa que o amor existe.


Acontece que o conceito – Apego - também está relacionado com a possessividade, a insegurança e a dependência emocional (desequilíbrios consequentes do seu desenvolvimento), quando deixa de ser um processo instintivo passando a ser de compensação, de domínio, de subordinação. Esta emoção/sentimento existe na relação entre seres humanos com objectos ou comportamentos.


Apego está directamente relacionado com segurança. O ser humano precisa de se sentir seguro desde que nasce e durante todo o seu caminho.


Quando é que o Apego traz sofrimento?

Traz quando a relação com o outro se torna sufocante; quando a necessidade de segurança precisa ser de fora para dentro, em vez do contrário; quando a dependência de um determinado comportamento, consigo próprio ou com os outros, bloqueia a natural convivência; quando alimenta o apego com um objecto que acredita lhe traz paz/segurança.


Aprende-se a alimentar o Apego para mais tarde descobrir que desaprender é a estratégia.


Os que abraçam a mudança, passam a conhecer que esse processo é vivido com o auto-desenvolvimento.


Uma das novas aprendizagens é o desapego.


Existem ferramentas que podem ser usadas durante esse procedimento. A experiência indica-me que cada ser tem características próprias e a adaptação do uso das mesmas é um processo individual.


Quando o ser humano é confrontado com a afirmação: O indivíduo pode aprender a encontrar segurança em si próprio - o desapego é mais natural e não exige um esforço desapropriado.


Poderia especificar com mais detalhes as variáveis que contribuem para o Apego de modo a que seja mais linear a sua diluição. Deixo esses aspectos para mais tarde, num outro artigo.


Convido-vos a participar, colocar questões, dúvidas que sejam pertinentes para cada um de modo que em conjunto vivamos a aventura do desapego.



Ana Guerra

Terapeuta Holística - Magnified Healing

Email: sonhodumavida@gmail.com

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