“Que você nunca desista de ser tudo aquilo que você sabe que nasceu para ser”

Quando o anjo e o diabo te sussurram ao ouvido Todos nós temos uma parte yin e outra yang dentro de nós. Uma face luminosa e outra sombria. Todos nós temos uma vozinha que nos diz que somos capazes, que somos merecedores e que é possível sermos felizes; bem como uma outra vozinha que nos diz que nada vale a pena, que o mundo é cruel e mais vale desistirmos. Esta imagem é conhecida de todos nós por já ter sido reproduzida na televisão e no cinema por vezes e vezes sem conta, em que dado personagem tem um anjo que lhe sussurra num ouvido e um diabo que lhe sussurra no outro.


O que estas figuras representam não tem que ver concretamente com figuras externas que nos vêm tentar e influenciar a agir de determinada maneira, mas antes as nossas próprias opiniões e pensamentos contraditórios e nos quais acabamos por ficar presos em certas alturas das nossas vidas. Vezes há em que ganha o anjo, noutras em que ganha o diabo. Há sempre momentos nas nossas vidas em que pendemos mais para um lado ou mais para o outro e é importante que entendamos que ambos fazem parte de nós, que ambos são necessários e que não há nada de errado em sermos ingénuos ou cáusticos. Tudo depende da situação e do grau em que o somos (para nosso bem e para bem dos que nos rodeiam).


O diabo nem sempre é mau. Ás vezes é ele que nos faz ter força para quebrar com situações que não nos são positivas, que nos faz abrir os olhos para ver as situações tal como elas são, sem que sejamos demasiado ingénuos e puros. Faz-nos lutar por nós mesmos, pela nossa defesa. É mais individualista e relacionado com os nossos instintos animais de sobrevivência. Desde que esta energia primal seja controlada e bem direcionada, o “diabo” pode ser de grande utilidade para nos fazermos ouvir, para estipularmos os nossos limites para com aqueles com quem lidamos, sem deixarmos que estes se aproveitem da nossa boa vontade. Se descontrolado, pode levar-nos a atacar tudo e todos, a não olhar a meios para atingir os nossos fins, a dar-nos uma falsa sensação de poder que não temos. Não somos melhores nem piores que ninguém.


O anjo também nem sempre é bom. Pode fazer-nos jogar sempre pelo seguro, sem nos dar a confiança e coragem necessárias para nos aventurarmos no novo, para nos lançarmos em voos mais altos que nos podem levar longe. Pode fazer com que nos aniquilemos para agradar os outros, pensando e sentindo sempre que as necessidades dos outros são mais importantes que as nossas, ou seja, um altruísmo desmedido que leva a um desrespeito para com nós mesmos. O anjo pode levar-nos a uma inocência tal que acreditamos que o mundo é apenas feito de rosas, de gente bem-intencionada e que a vida não tem “senãos”. Ele é, no entanto, o que de mais amoroso temos em nós. É a energia da eterna criança sem maldade, que sente mais do que pensa. É ser mais emotivo do que racional.


Estes dois polos não devem ser para nós um foco de conflito dentro de nós. Não é suposto que um deles seja aniquilado por ser pior que o outro. Como referi atrás, ambos fazem parte de nós e devem ser aceites. O caminho é saber balancear ambas as energias e saber quando uma ou outra devem ser empregues e em que medida.

Muito Amor,


Diana Pereira

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