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RECUPERA O TEU “EU SELVAGEM”

Por Diana Pereira

Tenho a certeza de que, tal como eu, também tu foste impelido a deixar de lado os teus desejos e vontades por te dizerem desde tenra idade que os teus sonhos são impossíveis de se concretizar. Também tu foste levado a deixar de falar a tua verdade, a deixar de expressar o que sentes ou pensas por ser inadequado para o momento, por não ser importante, ou porque isso é seres impertinente para com os outros.


Também tu foste proibido de demonstrar sentimentos como tristeza, raiva, frustração ou cansaço, pois são vistos como sinais de fraqueza. Também tu te viste a dizer “sim” a coisas que não querias fazer, a dizer “não” a ti mesmo por teres demasiadas coisas para fazer pelos outros, ou por simplesmente não teres tempo para ti por trabalhares demasiado. Também tu te viste a criar uma proteção à tua volta, que te protege dos que te rodeiam para que não sofresses mais. Também tu te viste a tornares-te numa pessoa aparentemente insensível e fria para que não mais se aproveitassem do teu bom coração e da tua compaixão.


Se te identificas com alguns dos pontos que acabei de descrever, devo dizer-te que tu deixaste que te roubassem a tua essência, e mais importante, deixaste que o mundo fosse roubado da tua luz. Deixaste que te tornassem num robot sem sentimentos, sem vontades, sem sonhos, sem espontaneidade. Que te tornassem numa pessoa programada, que não sai dos limites, que age por medo – de não ser aceite, de não ser amada, de ser deixada de lado, de não ser suficiente, de não ser merecedora. Contudo, hoje é o dia em que vais mudar tudo isso, em que vais recuperar o teu “Eu Selvagem”.


A palavra “selvagem” poderá assustar-te. Foi-nos dito que o que é selvagem é perigoso por não ser controlável. Ser selvagem significa estarmos em consonância com a nossa alma. É não nos calarmos quando o que queremos é gritar. É fazermos o que faz o nosso coração querer cantar de alegria sem a preocupação do que os outros poderão pensar de nós. É chorarmos se nos sentimos tristes, rir à gargalhada se estamos felizes. É mergulharmos no mar gelado, é andarmos descalços da floresta, é subirmos à montanha e gritarmos o nosso nome bem alto. É conectarmo-nos com as pessoas que nos rodeiam sem que as nossas dores do passado, os nossos medos, as nossas feridas, nos impeçam de nos relacionar-nos com os que estão no nosso presente, mesmo que não estejamos na mesma frequência que essas pessoas. É conseguirmos também dizer que “não” quando sentimos que nos estão a desrespeitar com as suas acções, ou que nos estaremos a desrespeitar se aceitarmos fazer algo que não queremos, que nos prejudicará de algum modo, ou que será um fardo que não queremos suportar.


Seres selvagem é seres indomável, é seres tu mesmo. É também respeitares os outros e as suas escolhas, as suas verdades, os seus desejos mais profundos. Permitires que sejam como realmente são na tua presença. Sem julgamentos, críticas ou limites à sua expressão.


Se virmos, nada mais é do que voltar a ser como as crianças. Elas choram quando estão tristes, correm quando querem correr, dizem o que pensam sem filtros. Dançam, pintam, desenham, cantam, rebolam na relva, sobem às árvores. As crianças são verdadeiras, até os adultos as começarem a limitar. Por isso, o nosso trabalho, enquanto adultos, é deixarmos de as limitar, e nos limitar a nós mesmos.


Faz hoje mesmo uma lista de todas as coisas que deixaste ou deixas de fazer por medo de não ser aceite ou por achares inadequado, com pelo menos 10 itens. Faz depois uma outra lista com 10 coisas que te comprometes a fazer para recuperar o teu “Eu Selvagem” – cantar na rua, ir para a floresta subir às árvores, dizer que não a uma tarefa que te queiram dar ou a um compromisso a que não queiras ir, entre muitas outras hipóteses – e durante os próximos 10 dias farás um item da lista por dia. Vais começar a sentir o fogo da tua alma a acender-se e toda a tua vida irá começar a fluir de um modo muito mais fácil do que até aqui. Estarás a libertar toda a energia que deixaste presa dentro de ti todos estes anos. Estarás a deixar fazer-se ouvir o teu rugido mais profundo.


Estarás a deixar-te ser quem és. Estarás a libertar-te, a encontrar-te a ti mesmo, já que cada vez estarás mais atento ao que realmente sentes, pensas, desejas a cada momento. Cada vez te ouvirás melhor e agora terás também a força de colocar em acção aquilo que tanto queres sem medo ou sentimento de culpa.


Liberta-te e mostra ao mundo toda a tua luz.



Muito Amor,


Diana Pereira

*A autora não aderiu ao Novo Acordo Ortográfico

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