Roteiro escrito pelo autor da própria história

A humanidade foi programada para acreditar que a alegria está fora do

indivíduo, o que não é verdade. Outra mentira passada de geração em geração é que, em algum momento, leia-se futuro, a situação e as condições serão favoráveis para o tão

esperado encontro com o bem-estar. É muito comum as pessoas dizerem: “quando eu

me formar ficarei plenamente realizada”, ou “quando eu me casar serei uma mulher

feliz” ou, ainda, “quando eu arrumar um bom emprego serei mãe.”


Adiar a felicidade para o futuro gera ansiedade, desconforto e, de uma certa

forma, nos deixa preguiçosos. Afinal, o futuro é um tempo distante e, como ele ainda

não chegou, podemos ir com calma, sem pressa. O desesperador, para quem pensa

assim, é que a data futura um dia chega. E, normalmente, quando bate a porta, nos pega

de calças na mão. Na ilusão de que o futuro estava muito distante, esquecemos que um

dia a data prevista, que estava longe, se tornará presente. A saída que encontramos para

adiar a decisão de “arregaçarmos as mangas e agir” é a pro-cras-ti-na-ção.

O procrastinador é expert em achar desculpas para se proteger da sua passividade, do seu apego à zona de conforto. Ele se ilude ao pensar que não conseguiu realizar o planejado devido à circunstâncias alheias à vontade dele. O padrão “irei fazer

amanhã e serei feliz depois” ganha forma novamente. Os dias passam e o futuro se

transforma em presente uma vez mais. É o passado se repetindo e destruindo o pouco

que ainda resta da autoestima e autoconfiança dele.


O comodismo e a falta de motivação levam as pessoas a evitarem a posição de

autores da própria história. O caminho escolhido é o “mais do mesmo” por ser

conhecido e familiar. Este padrão é representado pelas pessoas que têm uma tendência a se vitimizarem e colocarem o curso das suas vidas nos acontecimentos, nas atitudes

alheias, no time de futebol, na religião, no governo e, finalmente, nos pais.

Pensar assim nos leva a acreditar que a alegria está fora de nós, nas coisas e, até

mesmo, nas pessoas. Mas por qual razão temos a tendência de entregarmos o nosso

roteiro para um escritor que não viverá a nossa história? Medo nas suas mais variadas

formas e intensidades: de errar, de não ser bom o suficiente, de desagradar os outros, de

ser julgado, de não ser aceito, resumindo: de não ser amado! Fazer escolhas e se

responsabilizar por elas, independentemente dos resultados, é ser autorresponsável.


Quando assumimos o papel principal da nossa história, sem colocarmos este

peso no lado de fora, temos um encontro com a nossa felicidade, nosso bem-estar. No

instante em que as pessoas percebem que a resposta de todas as perguntas está dentro

delas uma revolução acontece. Começam a experimentar o que é ter amor próprio e, a

partir daí, aprendem a amar os seus pares. A partir do momento em que a pessoa deixa de ser coadjuvante e passa a ser roteirista da própria história, há uma mudança em tudo que está em torno dela. Ela assume a condução da própria vida ao se conscientizar que a felicidade está dentro e não fora. Dessa forma, o seu estado de espírito não é afetado por fatores externos e sim pela maneira como ela os enxerga. O verdadeiro poder vem de dentro e só será quebrado se ela se deixar afetar.


Tudo começa e termina na gente. Somos o nosso veneno e remédio. A escolha é

individual e intransferível. Cada um tem o direito de fazer as suas escolhas e colher os

frutos que plantou. Aqueles que optam por acreditar que a felicidade depende de fatores externos bebem do próprio veneno. Por outro lado, os que se conscientizam de que a plenitude está dentro deles, se alimentam do remédio do autoconhecimento e

desenvolvimento pessoal que cura e liberta.



Bibiana Danna

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