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SEGUIR A INTUIÇÃO: UMA OUTRA FORMA DE VIVER

Por Adosinda Borges

Antes de se dar o "despertar espiritual", vivemos num estado inconsciente, "adormecido". Isto significa que, por um lado, seguimos as regras e as crenças que nos impuseram, sem questionarmos, o que significa que as aceitámos como nossas e, por outro, agimos de acordo com a mente racional (razão/lógica).


É neste estado que ainda se encontra a maioria dos seres humanos neste planeta, onde o que é considerado "normal" é o modo como a maioria age e pensa. A causa central deste "adormecimento" reside aqui: no pensamento. Ao agirmos com a mente racional, com a lógica, estamos a agir com base em resultados de experiências passadas (nossas ou de outras pessoas), pois é isso que a mente faz: vai ao baú das memórias buscar o resultado das experiências que viveu ou observou e, se o resultado foi positivo, repete a situação, se foi negativo, não é para repetir, pois significa sofrimento.


Além disso, nestas circunstâncias, o medo está muito presente, pois a mente racional não permite avançar para território desconhecido, com medo de falhar, no sentido em que poderá haver algum tipo de perda. É isto que a mente faz: um jogo entre as perdas e os ganhos, maximizando estes e reduzindo ao mínimo as perdas. Como se costuma dizer: "mais vale um pássaro na mão que dois a voar".


Esta é uma sensação de segurança que mantém a maior parte das pessoas na sua "zona de conforto". Nesta zona não poderá haver qualquer tipo de evolução ou progresso, pois nada de novo acontece - está-se em segurança, mas estagnado.


Como diz o escritor brasileiro, Paulo Coelho, "o barco está seguro no porto, mas ele não foi feito para ficar no porto, foi feito para navegar no oceano". É isto que acontece quando se dá o despertar: saímos da nossa zona de conforto e avançamos para território desconhecido, mas temos connosco uma bússola, que é a nossa intuição. Sempre a tivemos, nascemos com ela, a diferença é que antes, quando se manifestava, raramente a seguíamos e, após o despertar, passa a ser o nosso principal e, às vezes, o único meio de orientação.


A intuição passa de “sexto sentido” para “primeiro sentido”, pois ao despertarmos tomamos consciência que somos uma alma com um corpo e não um corpo com uma alma, e este entendimento faz toda a diferença na compreensão que passamos a ter da Vida, das pessoas e da nossa verdadeira missão neste plano físico.


Com este novo entendimento, as nossas prioridades mudam e tudo o que não contribui para a evolução da nossa alma, fica para trás.


Passamos a seguir a nossa intuição, que é a forma de vibrações mais elevadas (guias, Eu Superior) comunicarem connosco. A intuição, na maior parte das vezes, está desprovida de qualquer lógica, pois é uma "sensação", uma vez que a nossa alma se comunica através do "sentir"/sentimento, e o sentimento não se explica, ou se sente ou não se sente.


Agir só com base na intuição pode ser assustador, pois pode levar-nos por caminhos que, por não terem "lógica", não sabemos onde nos vão levar. É agir através da fé, confiando no que se "sente", pois só nos é mostrado um passo de cada vez, daí que vamos confiando que o caminho, aos poucos, nos vai sendo mostrado. Tal como quando conduzimos um carro, durante a noite, só vemos alguns metros à nossa frente, mas confiamos que a estrada tem continuação...


Quanto mais se usar a intuição, mais forte ela se manifesta em nós, é como uma "voz", que se torna cada vez mais audível, a um ponto em que se torna impossível ignorar. No entanto, seguir a intuição não significa que esta nos vai conduzir sempre por caminhos ou situações felizes.


Seguir a intuição significa ser conduzido pela nossa alma (ou entidades superiores) e só ela sabe quais as experiências pelas quais temos de passar para que possamos evoluir, pois para a alma não há situações "boas" ou "más", mas somente oportunidades de crescimento que nos vão transformar naquilo que somos (mas esquecemos): a nossa essência divina.


Seguir a intuição significa escolher a "estrada menos percorrida" (como diz Wayne Dyer1: "always pick the road less traveled"), pois vai-nos levar por caminhos desconhecidos, conduzindo-nos, assim, a situações novas e estimulantes, a que jamais nos submeteríamos se nos tivéssemos ficado pela lógica/razão, que é o mesmo que dizer zona de conforto.


Mas "nem tudo são rosas", pois estas pessoas que se atrevem a seguir a sua intuição, independentemente das consequências, são apelidadas de “loucas”, como se estivessem a encaminhar-se para um precipício, pois, por vezes, arriscam tudo o que têm (não só bens materiais, mas também a sua reputação - a opinião dos outros) para seguirem a orientação da sua alma, que os está a conduzir para um caminho que só vai sendo mostrado aos poucos mas em cuja direção confiam, pois sentem que é a sua alma que fala com elas e, portanto, nada nem ninguém sabe melhor os passos a dar para alcançar a realização dos feitos a que a alma se propôs (antes de reencarnar) e que se manifestam agora num profundo "sentir" que só uma pessoa "desperta" consegue entender.



1 Wayne Dyer ((1940-2015), um spiritual teacher, americano, apelidado de “o pai da motivação”, escreveu livros de enorme sucesso e dava palestras nas áreas de desenvolvimento pessoal e crescimento espiritual.



Adosinda Borges

Terapeuta Espiritual

sindaborges@yahoo.com

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