Tudo tem o seu tempo para evoluir

Temos o hábito de seguirmos horários, isso já acontece há milénios, somos

regidos pelo tempo, o que na realidade, esse tempo, não funciona meramente

como algo separado de nós. Para explicar isso às crianças e adultos fazemos

contagens cronológicas através de uma linha reta, onde o centro, situa-se o

agora, à esquerda o passado e à direita o futuro. Isto é apenas um esquema

didático, pois o tempo não é assim tão linear. Há o antes e há o depois, mas

ambos se realizam no agora. Sem o antes, não haveria o agora, nem

estaríamos aqui. O exato momento propicia condições para o depois. Esse

depois, não chega a realizar-se, pois vivemos sempre o agora. E o que

antecedeu nunca retorna, porque estamos no agora.


Entender o que nos aconteceu é uma dádiva, mas nem todos terão que

entender o que nos aconteceu e, isso é abraçarmos com plenitude a alma

humana.


O amadurecimento do ser humano é como de uma flor. Não podemos forçar

que ela se abra, pois isso iria danificá-la. Às vezes, ficamos impacientes com

as pessoas que nos são próximas, como se tivessem obrigação de entender.

Esquecemo-nos que elas precisam do seu tempo para amadurecer.

Existe uma leitura da bíblia, do Antigo Testamento, do livro de Eclesiastes que

adoro lembrar-me, principalmente quando falo sobre este tema, onde cito:

“Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e

tempo de afastar-se de abraçar; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo

de guardar, e tempo de lançar fora; Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo

de estar calado, e tempo de falar” – Eclesiastes 3:4-7


Tudo tem o seu tempo, um ritmo próprio para sarar e para evoluir.

O passado é preenchido por coisas que nos aconteceram, resultado de

escolhas, sítios onde estivemos e nos encontramos hoje, pessoas que já nos

cruzamos e que ainda fazem parte da nossa vida e outras não. O passado

contempla experiências de sucesso e fracasso. O que somos hoje é fruto do nosso passado e para vivemos bem no presente temos de ser honestos com o passado.

Analisar as experiências do passado pode trazer um sabor doce ou amargo.

Podemos recordar os maravilhosos momentos de brincadeira, como podemos

lembrar de traumas graves e que precisam de ajuda profissional em terapia de

Reiki, Hipnose ou Psicologia.


Tudo deve ser superado com o seu tempo natural, demorando o tempo que for

preciso, sem permitir que vivamos num passado doentio, onde ficamos presos

a ele, pelas nossas memórias ou pelas oportunidades desperdiçadas. Isto pode

bloquear a nossa aprendizagem, o nosso crescimento e o amadurecer.


Nós próprios também podemos ser prisioneiros do passado pelo bom,

acreditando ilusoriamente que no passado é que era bom, isto é um apego

excessivamente nostálgico. É difícil vivermos felizes com o que existe se a

nossa mente se refugia no que existia. Então aqui, estamo-nos a enganar.

O passado deve ser levado em conta pelo que vivemos, vivenciamo-lo de

forma a amadurecer as atitudes que hoje temos. Por conta disso, o passado

não pode ser esquecido, nem exacerbado, mas respeitado. Somos hoje a

colheita do que semeamos e que fomos cultivando ao longo do tempo e, pelas

condições e fatos que não controlamos. O que não podemos controlar são

esses fatos, então, aceitamo-los e respeitamo-los, cultivando no presente o que

está ao nosso alcance.


O passado foi nosso professor, como é maravilhoso a quantidade de

professores que nos dão a oportunidade de aprender. Hoje, aceitamos com

gratidão o que erramos, já que aprendemos com esses erros quando os

corrigimos, então aí evoluímos.



Joel Reis*.

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