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VIVER NO AGORA

Por Adosinda Borges

Viver no momento, a única realidade que existe, o Agora. Parece fácil, mas é um grande desafio para o ser humano.


Este, quando nasce, já traz consigo um ego, ego este que se alimenta do tempo “passado” e “futuro”. Na infância, o ego está ainda pouco desenvolvido, por isso as crianças divertem-se e vivem como se não houvesse amanhã (e não há mesmo), só existe o momento presente, em que elas brincam de uma forma intensa, tirando proveito de cada minuto, pois vivem-no a 100%.


Depois crescem e vão assimilando crenças e comportamentos que observam da sua família e da sociedade em que vivem e começam a acumular “passado” e a ansiar ou recear o “futuro”. Portanto, desde muito cedo, começamos a carregar connosco o “tempo” que, apesar de não existir na realidade, se torna real, devido aos condicionalismos da sociedade e do mundo em que vivemos.


O ego existe na nossa mente, tal como o “tempo”, do qual o ego se alimenta.


O passado existe na mente sob a forma de memórias e o futuro sob a forma de expectativas. Ambos são projeções mentais – pensamentos – não são reais. Então, porque razão parece o “tempo” tão real?


É evidente que para vivermos numa sociedade dita “civilizada”, necessitamos de relógios e de calendários que marquem o tempo, para que a vida em sociedade se desenrole de forma organizada, nomeadamente, no ambiente laboral, escolar, social, na marcação de compromissos, etc.. Para tudo isto, o tempo cronológico é necessário.


No entanto, quando estamos a desempenhar qualquer tipo de atividade, seja a trabalhar, a comer, a relaxar, etc., deveríamos estar totalmente presentes, ou seja, com a totalidade do nosso Ser: com o Corpo, a Mente e o Espirito…. Contudo, poucas são as pessoas que o conseguem… Porque é tão difícil estar no “presente”, o único “tempo” que existe?


Há uma predisposição natural para que a nossa mente alterne constantemente entre o passado e o futuro. Isto porquê? Porque o momento presente não nos satisfaz, estamos sempre em busca de algo mais, do que vem a seguir, do que está lá à frente. A isto dá-se o nome de stress, isto é, estamos “aqui”, mas queremos estar “ali”…


É para aprendermos a vivenciar o momento e a conseguirmos a paz de espirito que tanto procuramos, que cada vez mais pessoas praticam a meditação. Sem dúvida, que esta é uma prática muito útil, pois, pelo menos durante “algum tempo” do nosso dia, estamos connosco próprios e a sentir o nosso Ser na sua totalidade. Contudo, melhor do que retirarmos um tempo especifico do nosso dia para meditar, o ideal seria em cada tarefa do nosso dia estarmos “presentes”, sentindo todas as sensações que os nossos sentidos nos permitem experienciar.


Neste caso, como diz Eckhart Tolle1, o nosso corpo serve de “âncora” que nos prende ao momento presente. Quanto mais praticarmos estar no “aqui” e no “agora”, mais fácil e mais frequente se torna a sensação de estarmos realmente vivos.


Muitas pessoas não vivem, passam pela vida sem nunca terem realmente vivido. Passam o tempo embrenhadas nos seus problemas (isto é, nos seus pensamentos, pois uma situação é sempre neutra, são os nossos pensamentos que a definem como “boa” ou “má”) em busca de um futuro melhor (que nunca chega, pois não existe) e nunca vivem realmente o presente, que é tudo o que existe e o que se chama de “Vida”. Daí que, muitas vezes, quando essa mesma vida está perto do fim, as pessoas questionam-se: “para onde foi o tempo?”, “a minha vida foi só isto?”.


Só vivendo intensamente o momento presente, nos sentimos realmente vivos. E quando nos sentimos “vivos”, o tempo “pára”, pois todos os nossos sentidos estão alerta, todo o nosso corpo vibra, cheio de energia vital.


Esta experiência de nos sentirmos realmente vivos significa obrigatoriamente que a mente está calma, não forçosamente sem pensamentos, mas, a existirem, já não nos identificamos com eles. São como meras “nuvens” que passam e nós simples observadores, sem nos deixarmos arrastar por cada uma delas.


Esta quietude da mente permite que a nossa intuição se faça ouvir, o “sexto sentido” que todos nós possuímos, mas que algumas pessoas têm mais desenvolvido do que a maioria. É através deste sentido, da intuição, que o mundo espiritual (a nossa alma, os nossos guias, os anjos, outros seres de luz e Deus) se faz ouvir.


Como “diz” Deus, através de Neale Donald Walsch2, na trilogia “Conversas com Deus”: “Falo com todos, mas quem Me escuta?”. Deus fala através do “sentir”… E o que é o sentir senão o sentimento que brota do nosso peito? Pois é sempre através do coração que Deus nos fala. O “sentir”, como Deus também diz, ao contrário das palavras, é o meio de comunicação mais fiável, pois só a nossa alma sabe qual é o nosso propósito de vida e quais as experiências pelas quais temos de passar para lá chegar.


Assim, a Vida é o professor e, como tal, ensina-nos tudo o que precisamos de aprender. Às vezes é necessário um acidente ou um simples escorregar numa casca de banana para parar a mente. No entanto, o ideal seria pararmos antes que a Vida nos pare para nos ensinar a Viver. Como também diz Eckhart Tolle, “o mundo não está cá para nos fazer felizes, está cá para nos despertar, daí que Deus não nos dá o que pedimos, mas dá-nos sempre o que precisamos…”




1 Eckhart Tolle é um dos “mestres espirituais” mais influente dos nossos dias, que publicou livros de grande sucesso, como O Poder do Agora (título original “The Power of Now”) e O Despertar de uma Nova Consciência (título original “A New Earth”). Dá palestras pelo mundo inteiro e é convidado assíduo dos programas da Oprah Winfrey.


2 Neale Donald Walsch a quem Deus “ditou” o conteúdo da trilogia “Conversas com Deus”. É um mensageiro espiritual da Nova Era. Cumpre esta missão através desses e de muitos outros livros que tem escrito e também das palestras e conferências que dá pelo mundo inteiro…




Adosinda Borges

Terapeuta Espiritual

sindaborges@yahoo.com

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